Bori promove sessão sobre cobertura da pandemia com jornalistas brasileiros e africanos

Informações de que países na África ainda apresentam baixa cobertura vacinal contra Covid-19 trazem preocupação aos especialistas sobre o futuro da pandemia. Em sessão virtual promovida pela Agência Bori e parceiros, jornalistas brasileiros do programa InfoVacina puderam entender melhor esse cenário e trocar experiências e desafios com colegas africanos sobre a cobertura da pandemia no Brasil e na África.

Cerca de 50 jornalistas do Brasil, Uganda, Zimbábue, Quênia e Zâmbia acompanharam a sessão de duas horas que aconteceu no dia 10 de março. Profissionais das redes Media for Environment Science, Health and Agriculture (Mesha), do Quênia, do Humanitarian Information Facilitation Centre, do Zimbábue, e da AVAC, puderam contar suas histórias e relatos sobre a cobertura da Covid-19 nos diversos territórios africanos. As iniciativas têm em comum o apoio do Sabin Vaccine Institute (EUA), que também apoia o programa Infovacina.

O combate à desinformação e a necessidade de ganhar a confiança da população nas campanhas de vacinação foram alguns pontos destacados pelos profissionais de comunicação africanos. Como ponto positivo, os jornalistas falaram sobre a cultura de imunização dos países africanos, conquistada a partir das missões humanitárias no continente. Ainda assim, aumentar a taxa de imunização contra a Covid-19 é um grande desafio. Uganda e Quênia, por exemplo, têm apenas 17% e 14% de suas respectivas populações com regime vacinal completo em 20 de março de 2022, segundo dados do site Our World in Data.

A construção de redes de jornalistas e o acesso a informações científicas foram essenciais para facilitar o trabalho dos profissionais, tanto na África quanto no Brasil. Exemplo disso foram os Science Cafés, do Mesha, encontros informais virtuais sobre Covid-19 realizados ao longo de 2020 e 2021 que colocaram jornalistas quenianos e de outros países próximos em contato com cientistas, membros da sociedade civil e autoridades oficiais do governo. O formato destes encontros foi replicado nas sessões com especialistas do programa Infovacina.

Do lado brasileiro, a repórter Yael Berman, da AFP (Agência France-Presse) trouxe um panorama aos africanos sobre as dificuldades de acessar dados oficiais sobre a pandemia logo no início de 2020, o que levou à criação do Consórcio dos Veículos da Imprensa. Berman foi a vencedora do grande prêmio Infovacina com reportagem sobre checagem de passaporte sanitário.

Sobre o InfoVacina

O Infovacina é o primeiro programa de mentoria jornalística coordenado pela Agência Bori, com apoio do Sabin Vaccine Institute e Instituto Serrapilheira. Com foco em dar suporte a jornalistas interessados em contar boas histórias sobre vacinas, ele acompanhou 26 repórteres de 13 estados brasileiros de veículos como Folha de S. Paulo, Agência Pública, Aos Fatos, O Liberal, GZH, Estadão, Veja Saúde, O Povo, de outubro de 2021 a fevereiro de 2022.

Além de palestras quinzenais com especialistas expoentes, como Gonçalo Vecina, Natália Pasternak e Diego Xavier (Fiocruz), o programa também ofereceu mentoria de dados e de saúde a esses jornalistas, do Dr. Gustavo Cabral (USP), e do jornalista Marcelo Soares (LagomData). A intenção é que essa rede de 26 jornalistas reportando sobre vacinas continue ativa nos próximos meses.

Publicado por

Agência Bori

A Bori conecta o conhecimento produzido por cientistas brasileiros à imprensa de todo o país, disponibilizando estudos inéditos acompanhados de textos explicativos e do contato de um porta-voz do trabalho a jornalistas cadastrados

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