Com redução de auxílio emergencial, renda de cabeleireiros cairia 17%; para motoristas de aplicativos, queda seria de 12%

A perda de renda de trabalhadores informais pode não ser compensada pelo auxílio emergencial se o novo valor for fixado em R$300 pelo governo federal. Em média, trabalhadores informais que receberem o benefício nesse valor (R$ 300) terão perda de 3% renda, quando comparada à renda pré-pandemia. As estimativas feitas por pesquisadores do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGVcemif) estão publicadas em relatório na sexta (28).

Os pesquisadores avaliaram os efeitos de redução do auxílio emergencial do governo federal sobre a renda de trabalhadores brasileiros a partir da simulação de dois cenários. No primeiro cenário, o auxílio seria reduzido pela metade — assim, trabalhadores que hoje recebem R$1200 passariam (caso de mulheres chefes de família) a receber R$600, enquanto trabalhadores que recebem R$600 receberiam R$300. No segundo cenário, o valor do auxílio emergencial seria fixado em R$300 para qualquer categoria de trabalhador. Em qualquer um dos cenários, o ganho médio de renda de trabalhadores formais e informais se reduziria, atingindo 9%, caso o Governo Federal optasse pelo primeiro cenário, e de 1%, caso optasse pelo segundo.

Segundo o pesquisador Lauro Gonzalez, coordenador do trabalho, “é possível que ocorram alterações significativas nos ganhos de renda a partir das prováveis mudanças no valor do Auxílio Emergencial. Em um cenário no qual o Governo Federal reduza o Auxílio Emergencial para R$300, diversos tipos de trabalho passam a apresentar perda de renda em relação à situação pré-pandemia. Por exemplo, cabelereiros, com redução de 17% na sua renda, motoristas de aplicativos e comerciantes donos de bar, com redução de 12%”.

Os pesquisadores voltaram aos dados do levantamento anterior, feito em julho, e avaliaram que o aumento médio de renda dos trabalhadores incorporando o Auxílio Emergencial passou de 29%, em julho, para 34% em agosto. A perda média de renda, que era de 18% em julho, passou para 14% neste último levantamento. Como apontam no relatório, essa mudança pode ter relação com a ativação de atividades econômicas durante o último mês em algumas regiões brasileiras.

Publicado por

Agência Bori

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