Pesquisa aponta principais dificuldades enfrentadas nos três primeiros dias de amamentação

Novo estudo de revisão realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que traumas mamilares como escoriações, fissuras e vermelhidão estão entre as principais dificuldades enfrentadas por puérperas amamentando até 72 horas após o parto no sistema de alojamento conjunto – em que mãe e recém-nascido ficam juntos 24 horas por dia no hospital até ter alta. Os dados são de pesquisa publicada na segunda (22) na revista “Audiology Communication Research”.

Os resultados foram encontrados após as autoras revisarem artigos científicos publicados sobre o assunto entre 2010 e 2019 em português, inglês e espanhol, procurando por palavras-chave nas plataformas PubMed, BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e SciELO.

O trabalho mostra que compreender as dificuldades enfrentadas por mãe e bebês na amamentação durante os três primeiros dias de maternidade é importante para que a amamentação não seja interrompida: o leite materno protege os recém-nascidos de alergias e infecções, ajuda a formar seus órgãos e está relacionado à redução da mortalidade infantil. Além disso, reduz sangramentos no pós-parto das mães, reduz a probabilidade de câncer de mama e facilita a retomada do útero ao seu tamanho normal. A prevalência de mulheres que conseguiram amamentar na primeira hora após o nascimento variou de 43.9% a 77.3%, segundo essa revisão.

De acordo com Carine Vieira Bicalho, coautora do estudo, os resultados condizem com o que estavam antecipando. “Esperávamos encontrar que a fissura mamilar é uma das maiores dificuldades enfrentadas no aleitamento materno exclusivo e no artigo identificamos que, realmente, as maiores dificuldades referem-se a problemas relacionados aos traumas mamilares, que engloba a fissura. Estas lesões estão associadas à pega incorreta e à presença de dor, que podem causar a interrupção da amamentação”, diz.

Bicalho também ressalta que os dados fornecem informações importantes para fonoaudiólogos, profissionais mais indicados para avaliar o padrão de sucção do bebê. “Ele é capaz de identificar as causas das alterações no padrão de sucção, a fim de promover o equilíbrio e garantir uma mamada eficiente”. A partir dos dados encontrados, esse profissional pode desenvolver orientações e intervenções específicas para as mães que tiverem problemas na amamentação.

Outros fatores que influenciam a experiência do aleitamento exclusivo, segundo a pesquisa, são dificuldade de conexão afetiva entre mãe e bebê, falta de conhecimento sobre a amamentação, anatomia e inflamação do mamilo. Por isso, é importante entender o processo não só a partir de fatores fisiológicos, assim como socioculturais e psicológicos.

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Agência Bori

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