11 de fevereiro de 2020 Salvar link Foto: Vandelino Dias Junior / Pixabay
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Estudo sobre uso de agrotóxico em cafezais foi feito no Sul de Minas Gerais

Highlights

  • Pesquisa feita no Sul de Minas Gerais mostrou problemas no atendimento a agricultores
  • Testes em 20% dos analisados tinham alteração em enzima que indica intoxicação
  • Estudo pode servir de base para melhorar atendimento de saúde em áreas rurais do Brasil

Serviços de saúde da região sul de Minas Gerais falharam em detectar casos crônicos de intoxicação por agrotóxicos em trabalhadores rurais das lavouras cafeeiras identificados em amostras de pesquisa. Esse é o resultado de estudo da Universidade Federal de Alfenas, da Universidade Federal de Lavras e da Universidade José do Rosário Vellano, em Alfenas, Minas Gerais. A pesquisa, publicada na “Revista de Saúde Pública” de janeiro de 2020, mostrou que esses serviços de saúde não têm os atributos essenciais à Atenção Primária de Saúde.

Com conhecimento de que a exposição de trabalhadores rurais a agrotóxicos é alta na região sul de Minas, devido às lavouras de café, os pesquisadores se interessaram em avaliar a qualidade dos serviços de atenção primária à saúde no atendimento a essas pessoas. Para isso, eles realizaram um estudo com 1.027 trabalhadores rurais de 26 municípios mineiros pertencentes à mesma superintendência regional de saúde.

Eles coletaram dados socioeconômicos, de histórico de intoxicação e internação por agrotóxicos e uso de equipamentos de proteção individual, por meio de questionários, e amostras sanguíneas para analisar sinais de exposição a agrotóxicos. O serviço de atenção primária à saúde foi avaliado com um instrumento chamado PCATool. Ele indica uma lista de atributos para identificar se o atendimento à saúde é satisfatório. A integralidade dos serviços básicos de promoção, cura e reabilitação da saúde, a existência de uma atenção contínua ao usuário ao longo do tempo e o quanto o usuário se identifica com  o serviço são levados em consideração.

Enzima alterada sinaliza intoxicação

Segundo os resultados do estudo, 20% da população analisada apresentou alterações na enzima colinesterase, um indicador de intoxicação por agrotóxicos. Para a pesquisadora Alessandra Silvério, o uso inadequado dos produtos pelos trabalhadores rurais pode explicar essa alta taxa de intoxicação.

Outra questão mencionada por ela é a falta de assistência para casos de intoxicação nesta área rural. “Nos 26 municípios da pesquisa, as equipes de saúde da família de zona rural desconheciam o método de avaliação por dosagens de colinesterases, usado para detectar casos de intoxicação por agrotóxicos. Eles também não sabiam a importância de monitorar os trabalhadores que manuseiam essas substâncias de forma contínua”, comenta a pesquisadora.

Os resultados do estudo podem servir de base para melhorar o atendimento de saúde em regiões rurais do Brasil, dando atenção especial à intoxicação por agrotóxicos. Segundo dados do Ministério da Saúde, Minas Gerais está na terceira posição entre estados com maior número de notificações de contaminação por agrotóxicos. Entre 2007 e 2014, foram 10.625 casos notificados. Em todo o território brasileiro, no mesmo período, tivemos uma média de 3.125 casos por ano, o que representa oito intoxicações diárias por agrotóxicos registradas.

O estudo propõe que o sistema único de saúde adote o método de determinação da atividade de colinesterases eritrocitária para detectar a doença e, também, trabalhe no treinamento de equipes para atuar na proteção e promoção da saúde de trabalhadores vulneráveis a esse tipo de intoxicação.

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Fonte: Agência Bori

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Publicado na Bori em 11/2/2020, 14:00 – Atualizado em 21/2/2021, 13:41