19 de novembro de 2021 Foto: Patrick Fore / Unsplash
Medicina e Saúde

Highlights

  • Estudo analisou associação entre a ingestão de açúcar na dieta infantil e presença de cárie na primeira infância em pacientes da clínica odontológica da UFSM
  • A prevalência de cárie na primeira infância foi de 86% de acordo com os prontuários analisados
  • Retardar a inserção de açúcar na alimentação infantil reduz riscos de aparecimento de cáries na primeira infância

A alta frequência de ingestão de açúcar é fator de risco para o aparecimento de cáries na primeira infância. Um estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mostra que oito em cada dez bebês atendidos em uma clínica odontológica de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ingeriam alimentos açucarados como parte da rotina alimentar — e tinham cárie. Os resultados estão em artigo publicado na sexta (19) na “Revista Gaúcha de Odontologia”.

Para evidenciar a associação entre a ingestão de açúcar na dieta infantil e a presença de cáries na primeira infância em um grupo de pré-escolares ,os pesquisadores analisaram os prontuários de pacientes de zero a seis anos, com média de idade de 29 meses, atendidos entre 2010 e 2016 na clínica odontológica da Faculdade de Odontologia da UFSM.

Os autores identificaram que a ingestão de açúcar já acontecia, em média, aos nove meses de idade do bebê e que quase todas as crianças usavam mamadeira adicionada a algum tipo de açúcar. “O que mais chamou a nossa atenção foi o fato de os bebês terem contato com o açúcar desde os primeiros meses de vida porque os próprios pais adoçavam a mamadeira ou davam lanches com guloseimas para os filhos”, destaca a coautora Fernanda Ruffo Ortiz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a criança não coma doces e açúcares até os dois anos de idade. Neste período, explica a pesquisadora, ainda não nasceram todos os dentes de algumas crianças. Apesar disso, muitas já foram diagnosticadas com cáries, o que é muito prejudicial. “O açúcar ingerido vira rapidamente ácido para as bactérias, o que o torna fator de risco para o surgimento da cárie dentária”, alerta.

Outro dado preocupante trazido pelos pesquisadores é que muitos pais acabam levando seus filhos a um dentista não de maneira preventiva, mas quando a criança se queixa de dores ou quando o dente já está escurecido. As crianças com cáries na primeira infância são três vezes mais propensas a serem adultos com essa doença de forma permanente, o que afeta a qualidade de vida do indivíduo.

A cárie é uma doença que afeta todas as faixas etárias, mas em crianças é a doença bucal mais prevalente. É na infância que a pessoa começa a conhecer os sabores e cores dos alimentos, daí a importância da orientação familiar e responsabilidade dos pais nessa fase da vida. “Essa é uma doença comportamental e pode ser prevenida. Precisamos deixar claro aos pais sobre a importância de uma alimentação saudável, de uma correta escovação com creme dental com flúor e da consulta regular ao dentista”, ressalta Ortiz.

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 19/11/2021, 23:00 – Atualizado em 5/7/2024, 15:43