19 de junho de 2023 Foto: Paulo Lara / Fiocruz Imagens
Medicina e Saúde

Highlights

 

  • Em amostra de mais de 21 mil pessoas, 39% morreram de Covid-19 com o diagnóstico concomitante de comorbidades
  • Estudo, realizado entre 2020 e 2022, aponta que a taxa de mortalidade foi maior entre os homens, pardos e idosos
  • Diabetes, isoladamente, foi a comorbidade com maior impacto nos desfechos de morte, seguida de obesidade e hipertensão

Doenças crônicas como hipertensão, diabetes, e obesidade elevam o risco de morte por síndromes respiratórias agudas graves, como é o caso da Covid-19. Para os homens e idosos, os índices de mortalidade nestas condições são ainda maiores. No geral, quase quatro entre dez pacientes atendidos em serviços de saúde de todo o país de 2020 a 2022, que morreram por conta da evolução da Covid-19, tinham ao menos uma comorbidade. Os resultados estão reunidos em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA), publicado na segunda (19) na “Revista Frontiers”.

A pesquisa buscou analisar a associação dos efeitos provocados pelas síndromes respiratórias agudas graves em pessoas com doenças crônicas e a taxa de mortalidade, analisando dados de mais de 21 mil pacientes de 6 mil serviços de saúde ao redor do Brasil durante a pandemia de Covid. O grupo amostral possuía homens e mulheres de diferentes faixas etárias, que receberam atendimento clínico e possuíam, pelo menos, uma comorbidade.

Os dados mostram que quase a metade dos pacientes com apenas uma morbidade se recuperaram da infecção, enquanto 20% morreram. Neste grupo, as mortes se concentraram, principalmente, nos pacientes obesos ou hipertensos.

A ideia de realizar o estudo surgiu da observação de que os casos de atendimentos de síndromes respiratórias graves que resultavam em mortes eram bastante comuns, o que fez com que os pesquisadores refletissem sobre essas doenças como possíveis agravantes do quadro da Covid-19.

Além disso, o acompanhamento de casos de diabetes e hipertensão ao longo dos anos sensibilizou o grupo para a vulnerabilidade desses grupos durante a pandemia. “Além dos desafios no autocuidado, esses pacientes ainda tinham que estar atentos à infecção da Covid-19″, conta o pesquisador José Cláudio Garcia Lira Neto. Essas doenças têm tratamentos longos e contínuos e exigem mudanças no comportamento, o que faz com que seu gerenciamento seja, muitas vezes, negligenciado pelo paciente, segundo o pesquisador.

De acordo com Lira Neto, os resultados da pesquisa enfatizam a necessidade de mais cuidados para esses grupos de risco, com a organização de planos estratégicos. “O estudo dá suporte à prática clínica de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde no tratamento dos pacientes nessas condições”. Para ele, um dos focos deveria estar na promoção de práticas saudáveis para a prevenção destes quadros. De forma mais ampla, o trabalho também pode auxiliar no planejamento de políticas públicas de saúde voltadas às síndromes respiratórias e pacientes com condições crônicas.

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 19/6/2023, 23:45 – Atualizado em 4/7/2024, 15:07