11 de março de 2025
Medicina e Saúde
Doença é transmitida em casa, e detecção precoce é fundamental

Highlights

  • Rio é a terceira capital com maior incidência de tuberculose no Brasil, com 96 casos para cada 100 mil habitantes, em 2022
  • Implantação de teste rápido não foi suficiente para aumentar a detecção de forma satisfatória
  • Ida de profissionais de saúde à casa dos pacientes permite busca ativa e previne transmissões, mostra estudo da Fiocruz

Os cuidados de atenção primária e as visitas domiciliares de profissionais de saúde aos pacientes são as principais estratégias para tratar e interromper a transmissão de tuberculose na cidade do Rio de Janeiro, mostra um estudo publicado nesta quarta-feira (12) no periódico científico Cadernos de Saúde Pública. O artigo é parte do trabalho de doutorado em epidemiologia da médica de família e comunidade Fernanda Lopes, na Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz).

Foram analisados dados de casos de tuberculose no município do Rio entre 2014, quando foram implementados os testes rápidos para detecção da doença, e 2022. Os pesquisadores buscaram identificar como a cobertura da atenção primária, as visitas domiciliares e outros fatores, como a pandemia de Covid-19, influenciaram a detecção de casos de tuberculose.

Houve associação direta entre as visitas e o detecção dos casos. “A tuberculose é uma doença de transmissão respiratória, ocorre dentro das casas, então, na visita do profissional de saúde, você detecta os casos, avalia as condições de moradia, quantas pessoas moram ali e que podem ter sido contaminadas”, explica Lopes. A presença dos profissionais, diz ela, permite uma busca ativa por casos e a prevenção da transmissão, além da oferta e controle do tratamento de forma mais eficaz.

“A principal estratégia para conter a tuberculose é o diagnóstico rápido e iniciar o tratamento de forma precoce. Só que é um tratamento longo, de pelo menos seis meses, e incômodo, então precisa garantir aderência”, explica Yara Hahr, pesquisadora da Fiocruz, médica epidemiologista e orientadora de Lopes. “A tecnologia dos testes rápidos ajuda muito, mas sozinha não faz milagre, o serviço tem que chegar às pessoas, ser acessível e a atenção primária e as visitas possibilitam isso.”

Para as pesquisadoras, o estudo demonstra como é preciso manter e ampliar os serviços oferecidos pelo SUS para prevenção, detecção e tratamento por meio da atenção primária, especialmente no Rio, onde há 96 casos a cada 100 mil habitantes. “É a terceira capital com a maior incidência no Brasil, fica atrás de Manaus e Recife, então todo médico que trabalha no Rio precisa considerar que a presença de tosse por duas semanas pode ser tuberculose”, diz Yara Hahr. 

A base de dados utilizada para coletar números de casos de tuberculose foi a do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan). Já os dados de cobertura de atenção básica foram coletados nos Paineis de Indicadores da Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.

 

DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT056324

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 11/3/2025, 23:45 – Atualizado em 12/3/2025, 11:26