9 de maio de 2025 Foto: Karolina Grabowska / Pexels
Medicina e Saúde
Entre hipóteses para explicar fenômeno estão o aumento do nível educacional e maior inserção no mercado formal de trabalho

Highlights

  • Pesquisa analisou dados do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo entre 2003 e 2015
  • Fatores como escolaridade, menos filhos e maior presença no mercado de trabalho podem ter influenciado
  • Pesquisadores da USP e do Hospital Sírio-Libanês alertam para impactos da pandemia e recessão no cenário atual

A prevalência de transtornos mentais comuns caiu de 33,6% para 22,5% entre mulheres de 20 a 59 anos na cidade de São Paulo entre 2003 e 2015, segundo estudo com base no Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital). Para homens da mesma faixa etária e para pessoas com 60 anos ou mais, a prevalência se manteve estável no mesmo período.

Esses foram os principais resultados de um painel de estudos transversais seriados, usando dados das edições de 2003, 2008 e 2015 do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital). O artigo, parte do doutorado em epidemiologia do enfermeiro Thiago Pestana Pinto, envolveu também outros pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública e da Faculdade de Medicina da USP, além do Hospital Sírio-Libanês.

A pesquisa, publicada na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, utilizou uma amostra representativa da população e aplicou entrevistas domiciliares com moradores da capital paulista. Para identificar os transtornos mentais comuns, foi usado o questionário SRQ-20, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde, que rastreia sintomas de ansiedade, depressão e queixas somáticas.

Diferentemente de outros estudos que mostram aumento ou estabilidade na prevalência de transtornos mentais em diversos países, esse aponta uma tendência de melhora entre mulheres em São Paulo. Trata-se de uma evidência contrária à ideia de uma epidemia global contínua de transtornos mentais.

“Nós precisamos pensar tanto na formulação de políticas públicas de saúde mental como no monitoramento dos transtornos mentais, considerando possíveis diferenças em relação ao sexo e à faixa etária. A gente levantou hipóteses que possam ter contribuído para essa redução. Uma elevação do nível educacional das mulheres comparado aos homens ao longo desse período, o aumento da inserção no mercado formal de trabalho e até a redução do número de filhos são fatores que podem ter contribuído para a redução da prevalência nesse subgrupo populacional”, diz Pestana Pinto.

Os autores ainda destacam a importância do contexto local e dos ganhos das políticas sociais voltadas à equidade de gênero e à promoção da saúde mental, especialmente em grupos vulneráveis.

Contudo, ainda é necessário manter o monitoramento contínuo da saúde mental da população em geral, levando sempre em consideração as diferenças por sexo e faixa etária, e preservar também as políticas sociais que contribuíram para os índices positivos.

“É um sentimento comum pensar que os transtornos mentais estão sempre em alta. Quando analisamos os dados, revisamos tudo várias vezes, porque não é comum encontrar uma tendência de melhora. Mas a ciência também serve para isso: provocar o debate e estimular um olhar crítico para os dados”, conclui Thiago.

Os autores alertam que a recessão econômica e a pandemia de Covid-19, ocorridas após o período analisado, podem ter revertido a tendência observada. Novos estudos são, portanto, necessários para entender o cenário atual e orientar ações.

DOI: https://doi.org/10.1590/S2237-96222025v34.20240048.en

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 9/5/2025, 23:45