27 de agosto de 2025 Foto: André Osório / Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos
Ambientetuco-tuco-do-lami
Estudo também joga luz à redução de 30% do bioma Pampa em quatro décadas

Highlights

– Espécie que ocorre apenas em áreas arenosas nas imediações de Porto Alegre depende de corredores de vegetação para sobreviver

– Entre 28 áreas revisadas, só oito ainda mantêm populações do roedor

– Pesquisa da UFRGS aponta perda de 17% da área de ocorrência da espécie

A fragmentação do bioma Pampa ameaça diretamente a sobrevivência do tuco-tuco-do-lami (Ctenomys lami), pequeno roedor subterrâneo que só existe nessa região e está ameaçado de extinção. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e instituições parceiras mostra que a conectividade entre fragmentos de campo nativo é o principal fator para a persistência da espécie. O trabalho foi publicado na revista Mammalia na quarta (27).

A pesquisa revisitou 28 áreas históricas de ocorrência da espécie e constatou que apenas oito subpopulações persistem, enquanto 15 desapareceram, principalmente em razão de mudanças no uso da terra, como plantações de soja, silvicultura, urbanização e obras de infraestrutura. Além disso, a área de ocorrência da espécie sofreu uma redução de 17% nas últimas décadas, e atualmente menos da metade do habitat potencial dentro dessa área ainda está disponível.

“Mais do que a quantidade total de campos nativos, o que realmente explica a sobrevivência do tuco-tuco-do-lami é a conectividade entre os fragmentos”, explica Thamara Santos de Almeida, primeira autora do estudo. “Isso significa que estratégias de conservação precisam priorizar a restauração e o manejo de corredores de vegetação que liguem as populações remanescentes”.

A espécie ocorre apenas em campos arenosos em três municípios próximos à capital, Porto Alegre, e depende de áreas contínuas de vegetação campestre para sobreviver. Sua baixa capacidade de dispersão e forte especialização de habitat tornam a espécie altamente vulnerável a alterações na paisagem.

Embora o estudo tenha foco nessa espécie emblemática, ele também joga luz sobre a situação crítica do bioma Pampa como um todo. Entre 1985 e 2022, segundo o MapBiomas, o Pampa gaúcho perdeu quase 3 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 30% em quatro décadas. Esse processo tem ameaçado não apenas o tuco-tuco-do-lami, mas também uma biodiversidade única, considerada uma das maiores por metro quadrado do Brasil.

Os pesquisadores defendem a criação e ampliação de áreas protegidas que contemplem a distribuição atual da espécie, além de medidas de restauração de campos nativos. “O Pampa é um bioma invisível nas políticas públicas, mas sua biodiversidade não pode mais ser ignorada”, conclui Almeida.

Termos de uso

Todos os releases sobre as pesquisas nacionais já publicados na área aberta da Bori (e que, portanto, não estão sob embargo) podem ser reproduzidos na íntegra pela imprensa, desde que não sofram alterações de conteúdo e que a fonte Agência Bori seja mencionada.

Veja como citar a BORI quando for publicar este artigo:

Fonte: Agência Bori


Ao usar as informações da Bori você concorda com nossos termos de uso.

Publicado na Bori em 27/8/2025, 10:55 – Atualizado em 27/8/2025, 11:01