7 de novembro de 2025 Foto: Fernando Dagosta
AmbientePeixe pequeno de corpo prateado com faixa preta horizontal e nadadeiras alaranjadas.
Espécime de Inpaichthys luizae, lambari de cores laranja e preta descrito nos afluentes do rio Juruena, em Mato Grosso

Highlights

  • Nova espécie de lambari tem padrão incomum de cores laranja e preto, o que a torna especialmente atraente para o mercado de aquarismo
  • O peixe é descendente de uma linhagem antiga que se separou de parentes da região andina há de milhões de anos
  • Pesquisa publicada na revista Neotropical Ichthyology integra um esforço maior para catalogar dezenas de espécies desconhecidas

Uma nova espécie de peixe foi descrita em afluentes do rio Juruena, no estado do Mato Grosso. Trata-se da Inpaichthys luizae, um tipo de tetra (lambari) de cores laranja e preta, apresentada em artigo do ictiólogo Fernando Cesar Paiva Dagosta na revista Neotropical Ichthyology. O trabalho amplia o número de espécies conhecidas do gênero Inpaichthys, antes restrito à Amazônia ocidental.

O peixe foi encontrado por um pescador de aquarismo que suspeitou tratar-se de uma espécie nova e enviou os exemplares ao pesquisador. Após análises morfológicas, Dagosta confirmou que se tratava de uma espécie inédita. O Inpaichthys luizae tem uma faixa oblíqua escura que percorre o corpo até a cauda e nadadeiras em tons de laranja intenso — características que o tornam particularmente chamativo.

Segundo o pesquisador, o tetra é considerado uma espécie relíquia: um grupo isolado há milhões de anos. A linhagem teria se separado de parentes da região andina, o que reforça a importância das cabeceiras do rio Tapajós e de outras áreas de relevo antigo no Brasil central.

Os resultados do estudo têm implicações diretas na conservação e no comércio de peixes ornamentais, visto que o Inpaichthys luizae possui um apelo devido a sua aparência peculiar. O autor explica que, por ter grande potencial de venda no aquarismo, a espécie “tem que ser descrita o quanto antes, porque, com o nome científico, passa a ser uma espécie brasileira com direito à conservação”.

Embora os rios onde vive estejam preservados e a espécie seja classificada como de “pouco preocupante”, o estudo destaca o risco de perda rápida de populações em função da exploração ornamental e do avanço do desmatamento.

Dagosta pretende continuar com os estudos e analisar pelo menos uma dezena de espécies de lambarizinhos inéditas nas regiões altas do escudo brasileiro. O trabalho corre contra o tempo para catalogar a fauna local antes que seja extinta pelo desmatamento.

DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0224-2025-0052

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 7/11/2025, 23:45