27 de fevereiro de 2026 Foto: Freepik
Medicina e SaúdeMulher grávida com as mãos apoiadas na barriga em ambiente externo, representando acompanhamento pré-natal.
Estudo identificou ISTs curáveis em parte das mulheres atendidas em UBS de Salvador

Highlights

  • IST não virais e curáveis foram detectadas em 21,52% das gestantes atendidas por unidades básicas de saúde em Salvador, em estudo da Universidade do Estado da Bahia
  • Mais da metade das infectadas era assintomática, ou seja, não seria diagnosticada ou tratada em uma abordagem do sistema de saúde mais focada em sintomas
  • Oferecer mais exames no pré-natal pelo Sistema Único de Saúde se mostra fundamental para reduzir complicações em gestantes e fetos decorrentes de infecções curáveis

Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não virais e curáveis representam um risco significativo para gestantes e fetos, afetando ao menos 21,52% das mulheres grávidas em Salvador (BA). Mais da metade das gestantes que testaram positivo para alguma IST não apresentava sintomas, aumentando o risco de que as infecções não fossem detectadas e, consequentemente, tratadas — expondo mãe e feto a possíveis complicações, como parto prematuro, aborto, infertilidade e natimortos. 

Entre os fatores associados às infecções estão idade inferior a 25 anos, ausência de parceiro ou tempo de relacionamento inferior a um ano e o uso de álcool e substâncias ilícitas não injetáveis. As conclusões são de pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e acabam de ser publicadas na Revista Latino-Americana de Enfermagem

O estudo foi conduzido com 302 gestantes, entre 15 e 49 anos, pacientes do serviço pré-natal de 17 unidades básicas de saúde da capital baiana. Entre 2022 e 2023, profissionais de saúde coletaram seus dados sociodemográficos, obstétricos e comportamentais e realizaram testes rápidos para vírus da imunodeficiência humana (HIV), sífilis e hepatites B e C. Ainda, coletas de amostra vaginal foram realizadas para detecção de clamídia, gonorréia, micoplasma e tricomoníase, IST não virais e curáveis focadas na pesquisa.

Uma em cada cinco gestantes apresentou ao menos uma IST, sendo as mais prevalentes clamídia (11,6%) e mycoplasma (9,6%). A faixa etária de 15 a 24 anos é um fator preditivo, assim como a ausência de um relacionamento estável ou um período menor de um ano com a parceria. 

Outras variáveis preditivas foram identificadas, como explica a pesquisadora Darlene Silva de Souza: “A associação do relacionamento com parceiro com histórico de prisão e a infecção por clamídia não foram relatadas em outros estudos, suscitando a necessidade de novas pesquisas para aprofundar a investigação, assim como de gestantes que nunca realizaram exame de Papanicolau e a infecção por mycoplasma.” 

Quase 14% das gestantes nunca haviam realizado o exame citopatológico de colo uterino, o que surpreendeu os pesquisadores. “É um fator que pode indicar barreiras de acesso aos serviços de saúde ou falhas na organização da atenção primária, a qual, muitas vezes, adota um modelo baseado na demanda espontânea, ficando sob responsabilidade da mulher a iniciativa de procurar o serviço de saúde”, afirma Souza.

Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de ampliar o escopo dos exames oferecidos às gestantes nas consultas pré-natal. “Esta estratégia viabiliza a detecção precoce das infecções, o tratamento oportuno das gestantes e de seus parceiros, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão, evitando complicações no período gestacional e neonatal, e menor custo aos serviços de saúde em decorrência de cuidados em outros níveis de atenção”, conclui a pesquisadora.

DOI: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7592.4696

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 27/2/2026, 23:45