Manifesto
Bori: Por uma ciência que se sente e faz sentido

Bori — a Carolina Bori — foi a primeira mulher a comandar a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em um contexto de redemocratização e de consolidação das fundações científicas do país. Foi também a primeira profissional do Brasil com registro formal em psicologia, área que ajudou a consolidar. Ela estudava processos mentais, a experiência que nos permite obter informações sobre o ambiente — nossa percepção do mundo.

Aquilo que está ao nosso alcance é compreendido a partir de uma relação sensorial. Vemos e entendemos. Ouvimos e nos aproximamos. Sentimos e nos engajamos. A ciência nasce e se consolida por meio da ampliação dos nossos sentidos. É real o que enxergamos, inclusive por meio de telescópios ou microscópios. Cabe à ciência investigar e à divulgação científica dar sentido ao que vai além das nossas limitações. 

A Bori —  organização que articula produção de conhecimento e sociedade — trabalha para ampliar a abertura que nos permite enxergar para além da caverna; torna acessível aquilo que não captamos sensorialmente, o que a ciência revela. Novas espécies, novas maneiras de entender o mundo, novos tratamentos para velhas doenças. A Bori conecta as pessoas ao conhecimento científico, para que a ciência seja sentida por todos e se some aos saberes tradicionais.

A Bori vai além da plataforma de divulgação científica. Somos ponte, conexão, ligação. Somos a transformação da nossa cultura científica porque damos sentido àquilo que cientistas brasileiros enxergam e transmitimos adiante o conhecimento. Somos parte do ecossistema científico brasileiro e ajudamos a ampliar seu alcance. A Bori mostra o que é produzido no Brasil e, assim, reforça a soberania do país. 

A ciência brasileira é grandiosa. O Brasil está entre os 15 maiores produtores de conhecimento do mundo, em todas as áreas. Mesmo com instituições ainda jovens, pesquisadores brasileiros colocam o país na liderança da produção de conhecimento sobre temas como Amazônia, alimentos ultraprocessados e doenças tropicais. Na Bori, trabalhamos para que esse conhecimento seja parte estruturante do país e não fique à margem das tomadas de decisão. Queremos que o conhecimento científico se transmute em política pública  para que a ciência  seja percebida, vivenciada e sentida como um bem social e cultural.

A Bori organiza informações, encontra linguagem, constrói arcabouços e cultiva conexões  para que os diversos públicos possam perceber e compreender o universo de que os nossos sentidos não dão conta, mas que a ciência revela. Dialogamos com canais especializados para levar o conhecimento adiante, como a imprensa. Atuamos diretamente com milhares de jornalistas para tratar de ciência de maneira qualificada em todas as editorias do país. E, ao fazer isso, fortalecemos o jornalismo e a democracia em tempos de confusão informacional, desinformação e ascensão do autoritarismo. 

Fundada por duas mulheres jornalistas e cientistas que se inspiraram no legado de Carolina Bori, nossa iniciativa trabalha por uma ciência mais plural e uma comunicação social ampla e heterogênea. Quem apoia a Bori acredita que evidências científicas são essenciais para decisões que levem a um mundo melhor e com sentido — e sabe que conhecimento só cumpre seu papel quando circula. Quando a ciência, o jornalismo, a democracia e a soberania se juntam e se fortalecem, as paredes da caverna desabam e a compreensão do mundo deixa de ser privilégio.

Ana Paula Morales

Sabine Righetti