13 de março de 2026 Foto: Pixabay / Pexels
Medicina e Saúde
Estudo aponta que 6,8% dos pacientes com cuidados complexos morrem até 30 dias após a alta hospitalar.

Highlights

  • Estudo da Unifesp aponta que 6,8% de pacientes com cuidados complexos morrem até 30 dias após a alta e 12% são reinternados
  • Pacientes com necessidades complexas, como doenças oncológicas, infecciosas ou respiratórias, apresentaram maior risco de reinternação e óbito
  • Os achados podem orientar o planejamento de intervenções individualizadas para reduzir os desfechos negativos em saúde durante o processo de alta.

Um em cada 15 pacientes com necessidade de cuidados complexos morre até 30 dias após a alta hospitalar e 1 em cada 8 é reinternado no mesmo período. Os dados são de um estudo publicado na sexta (13) na Acta Paulista de Enfermagem. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o trabalho identificou fatores clínicos e sociais associados a esses desfechos e apontou caminhos para reduzir riscos no processo de transição do hospital para casa.

A equipe acompanhou a trajetória de 410 pacientes adultos internados em um hospital universitário da cidade de São Paulo entre fevereiro de 2022 e outubro de 2024. Foram analisados dados clínicos e sociodemográficos – como idade, escolaridade e religião -, além de informações sobre uso de medicamentos e presença de comorbidades. Durante a internação e após a alta, os pacientes receberam orientações para o cuidado domiciliar por meio do Programa de Transição de Cuidados (Protrac), com acompanhamento telefônico aos 2, 7, 15 e 30 dias após a alta. Ao longo do período, foram contabilizados os casos de reinternação e óbito.

O estudo registrou 28 óbitos e 49 reinternações no período analisado, correspondente a 6,8% e 12% da amostra, respectivamente. Pacientes reinternados apresentaram probabilidade maior de evolução para óbito, assim como indivíduos com quadros clínicos mais complexos, como doenças oncológicas, infecciosas ou respiratórias. “A análise sugere que a reinternação atua predominantemente como marcador de maior gravidade clínica e complexidade assistencial”, explica Andréa Fachini da Costa, autora do estudo. “Ela deve ser compreendida como indicador relevante de risco e gravidade clínica, mas não necessariamente como determinante direto do desfecho fatal”, ressalta a pesquisadora.

Para os autores, os resultados podem indicar falhas na transição entre o cuidado hospitalar e o domiciliar de pacientes com necessidades complexas. “Essas falhas podem ocorrer de várias maneiras”, afirma Costa. Entre os principais pontos de atenção estão a falta de planejamento e articulação entre os serviços de saúde, a preparação insuficiente de pacientes e cuidadores, lacunas na comunicação de informações e a ausência de acompanhamento eficaz após a alta. “Esse cenário pode levar a erros no uso de medicamentos, baixa adesão ao tratamento, fragmentação da assistência e maior vulnerabilidade clínica, ampliando o risco de incidentes relacionados à segurança do paciente”, acrescenta.

Costa defende que os achados podem subsidiar a elaboração de estratégias mais eficientes para identificar pacientes de maior risco e intensificar o acompanhamento após a alta. “Observamos que pessoas com múltiplas comorbidades e diagnósticos de doenças infecciosas, respiratórias e oncológicas apresentaram maior probabilidade de desfechos negativos, o que é um ponto de alerta”, diz. “A própria reinternação também é um forte preditor de óbito, o que sinaliza um grupo de alto risco que demanda monitoramento mais intensivo”, complementa. A pesquisadora destaca ainda a importância de reforçar o acompanhamento e a orientação para cuidados complexos, como o manejo de ostomias (abertura feita através de cirurgia para criar um novo caminho para eliminar as fezes ou urina, permitir a alimentação pelo estômago ou intestino ou permitir a respiração), além de outros dispositivos assistenciais, a realização de curativos e a administração de medicamentos.

Os resultados reforçam a necessidade de aprofundar essa linha de pesquisa. Entre os próximos passos, a autora cita a ampliação da amostra, em diferentes instituições, para fortalecer as conclusões obtidas, e a comparação entre modelos de transição do cuidado, como o acompanhamento apenas telefônico e aquele que inclui visitas domiciliares por parte dos serviços de saúde. Também está no radar a análise mais detalhada dos determinantes sociais da saúde. “Nós identificamos associação estatisticamente significativa entre filiação religiosa evangélica e reinternação hospitalar, mas são necessárias novas investigações para entender os fatores por trás dessa relação”, afirma. A expectativa é que o avanço desses estudos contribua para aprimorar a assistência no período pós-alta e reduzir os desfechos negativos.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.37689/acta-ape/2025SPE09p

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 13/3/2026, 23:45 – Atualizado em 17/3/2026, 13:46