3 de julho de 2026 Foto: Luciano Fischer / Acervo Pesquisadores
Ambiente
Estratégias como cultivo controlado, limitação de coleta e monitoramento ambiental podem reduzir impactos ambientais da extração

Highlights

• Biodiversidade marinha pode gerar óleos essenciais com aplicação nas indústrias farmacêutica, cosmética, alimentícia e agrícola
• Ciência já identificou 457 compostos em apenas 32 espécies, aponta revisão de literatura de pesquisadores da UFRJ e da UFBA
• Pesquisa abre caminho para propostas de inovação sustentável, geração de renda e desenvolvimento de novos produtos naturais

O interesse global por produtos naturais e sustentáveis tem crescido de forma acelerada, impulsionando o mercado de óleos essenciais e a busca por novas matérias-primas. Pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Bahia (UFBA) investigaram o que diz a produção científica sobre a composição dos óleos obtidos de macroalgas marinhas, seu potencial curativo e protetor e possível uso em indústrias como as de alimentos e de cosméticos. O trabalho mostra que pesquisas já produzidas sobre o tema identificaram 457 compostos químicos em apenas 32 espécies, o que evidencia um potencial inexplorado da biodiversidade marinha.

Esses compostos têm potencial de aplicação em diferentes áreas, desde a farmacêutica – como fonte de moléculas com ação antimicrobiana e anti-inflamatória –, até a cosmética, a alimentação e a agricultura – devido às suas ações como conservantes e inseticidas naturais, por exemplo.

Os resultados, publicados na revista Rodriguésia, foram obtidos por meio de uma revisão sistemática da literatura científica revisada por pares, que encontrou somente 26 artigos, em bases de dados como Web of Science, Scopus, PubMed, ScienceDirect e SciELO. Além de organizar o conhecimento já produzido, o trabalho mapeia lacunas, tendências e oportunidades de pesquisa, especialmente estratégicas para o Brasil, que possui vasta biodiversidade marinha — o que inclui as macroalgas. O estudo mostra, por exemplo, que a maior parte da produção científica sobre o tema está concentrada no Hemisfério Norte.

 “Ainda não há produtos consolidados no mercado baseados nesses óleos, mas já existem iniciativas, especialmente na Europa, que utilizam produtos e óleos essenciais derivados de algas. Isso reforça a necessidade de padronização e clareza para evitar confusão sobre a origem e a composição desses produtos”, detalha a coordenadora da pesquisa, Angélica Ribeiro Soares, professora titular no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (NUPEM) da UFRJ, em Macaé.

Segundo a equipe, esta é a primeira revisão da literatura a adotar critérios claros e definições alinhadas às normas comerciais e oficiais brasileiras e internacionais, contribuindo para reduzir a confusão sobre o que realmente pode ser classificado como “óleo essencial”. “Na literatura, muitas vezes extratos vegetais, de origem marinha ou não, são erroneamente classificados como óleos essenciais, o que dificulta a comparação entre estudos e compromete a reprodutibilidade dos dados”, pontua Soares.  

Os autores ainda chamam atenção para a necessidade de equilibrar exploração e preservação. A extração indiscriminada de algas pode causar impactos ambientais relevantes, uma vez que esses organismos desempenham papel fundamental nos ecossistemas marinhos. Por isso, estratégias como cultivo controlado (algicultura), definição de limites de coleta e monitoramento ambiental são consideradas essenciais para o avanço na área.

O levantamento já gera desdobramentos acadêmicos, servindo de base para pesquisas de pós-graduação e trabalhos de conclusão de curso voltados ao potencial das macroalgas do litoral brasileiro como fonte de óleos essenciais.  A pesquisa contou com o apoio de instituições como FAPERJ, CNPq e UFBA, reforçando a importância do investimento em ciência para transformar a biodiversidade em conhecimento e inovação.

DOI: https://doi.org/10.1590/2175-7860202576062

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 3/7/2026, 15:45 – Atualizado em 3/7/2026, 15:50