3 de julho de 2026 Foto: Valdenor Magalhães
Biologia
Maior peixe de água doce da América do Sul tem só 1 espécie na Amazônia, diz pesquisa.

Highlights

  • Levantamento do INPA e da UFAM contraria pesquisas realizadas em 2013 que sugeriam até cinco espécies diferentes na região amazônica 
  • Pesquisa avaliou mais de 80 animais considerados ainda em risco de extinção na região, mas tido como predador voraz em outras bacias
  • Pesquisador destaca relevância do estudo para preservação e conservação da espécie que é fonte de renda para pescadores e moradores da Amazônia

Ao contrário de estudos anteriores que apontavam para diversas espécies de pirarucu no sistema Amazonas-Solimões, o levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), publicado nesta sexta (3) na revista Neotropical Ichthyology, revela que a espécie Arapaima gigas é a única na região.

Para a análise, foram recolhidos 90 espécimes em quatro regiões: Alto rio Solimões, rio Juruá, rio Purus, e baixo rio Amazonas, cobrindo mais de mil quilômetros do sistema Solimões-Amazonas. Deste total, 82 peixes foram fotografados e 70 foram analisados geneticamente.

Considerado o maior peixe de água doce da América do Sul, o pirarucu se encaixa em um paradoxo ambiental por ser considerado vulnerável na região natural onde costuma viver, e em outras áreas é reconhecido como um predador que ameaça a biodiversidade, como por exemplo nas bacias dos rios São Francisco e Paraná.

Além disso, o peixe é uma importante fonte de renda e subsistência de comunidades amazônidas. Daí a relevância da avaliação do estado de conservação da espécie e da análise genética e morfológica que é feita conjuntamente pela primeira vez neste estudo.

O autor do artigo e pesquisador Valdenor Magalhães explica que a indicação de apenas uma espécie de pirarucu na região vai na contramão de outros dois artigos publicados em 2013, que sugeriam a existência de quatro espécies adicionais além do Arapaima gigas, com base na variação das características morfológicas. Segundo Magalhães, essas diferenças são entendidas como uma variação natural de uma única espécie distribuída pela Amazônia.

“Essas variações individuais que vão desde tamanho olho, quantidade de dentes, comprimento e formato de nadadeiras, altura do corpo e até mesmo a quantidade de vértebras, não seguem um padrão que nos permita agrupar ou identificar outras espécies morfológicas”, explica.

O autor destaca ainda que devido à relevância do pirarucu na região, o estudo aponta para quais cuidados e medidas devem ser tomados para evitar o esgotamento do pirarucu.
“Por ser uma espécie de topo de cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, principalmente predando e controlando a população de outras espécies. Preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”, conclui.

DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0224-2025-0191

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 3/7/2026, 23:45