24 de julho de 2026 Foto: Ivo Brasil / Pexels
Ambiente
A floresta amazônica ajuda a manter os corredores de umidade que levam chuva ao Sul do Brasil, aponta estudo da UFPR

Highlights

  • Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) alerta que a perda florestal diminui as chuvas na bacia do rio Iguaçu, polo que gera 41% da energia hidrelétrica paranaense.
  • O desmatamento esvazia os rios voadores, cortando o suprimento de água para o Sul do país, com a perda de cobertura florestal atingindo picos de 2.095 km² em um único mês.
  • A ação humana superou os freios climáticos naturais, gerando um aumento de 120% nos focos de incêndio na Amazônia em 2020, mesmo sob os efeitos úmidos do La Niña.

As secas que castigam o Sul do país ameaçam diretamente uma região que concentra 60% da produção de grãos, 41% da energia hidrelétrica e 23% da pecuária do Paraná. Esse déficit hídrico está estatisticamente ligado à Amazônia: o aumento do desmatamento reduz a precipitação na bacia do rio Iguaçu. É o que indicou uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicada na revista científica Brazilian Journal of Biology, acendendo o alerta de que a perda florestal no Norte já afeta a segurança econômica e o abastecimento de água potável a milhares de quilômetros de distância.

A floresta atua como uma gigantesca bomba d’água natural que alimenta os chamados Jatos de Baixos Níveis. Esse sistema de circulação atmosférica transporta corredores de umidade para o Sul do Brasil. O avanço das motosserras e do fogo sobre o bioma compromete essa engrenagem de forma severa, com as taxas de desmatamento atingindo a marca de 2.095 km² destruídos apenas no mês de julho de 2021.

“Com a remoção da vegetação amazônica, ocorre uma redução da quantidade de água liberada para a atmosfera pela floresta, diminuindo a disponibilidade de umidade que alimenta esses sistemas de transporte. A alteração no ciclo das chuvas representa um risco socioeconômico, afetando a produção de alimentos, a geração de energia e a estabilidade de atividades que dependem diretamente da água”, explica a pesquisadora Ana Carolina da Silva.

O impacto da intervenção humana na floresta mostra-se mais forte e rigoroso que os próprios ciclos climáticos naturais. A análise dos dados revela que a perda florestal disparou especialmente a partir de 2020, período que coincidiu em parte com a vigência do La Niña. Em condições normais, o fenômeno concentra mais umidade sobre a bacia amazônica e atua como um freio contra o fogo. O levantamento constatou, no entanto, que a Amazônia registrou mais de 222 mil focos de incêndio em 2020, o que representa um aumento brutal de 120% em relação à média dos anos anteriores, atropelando a barreira climática natural.

“Fatores antrópicos tiveram papel determinante na dinâmica do desmatamento, demonstrando que o clima não impede a destruição provocada por atividades humanas. A pressão exercida e a redução da efetividade das ações de fiscalização e controle ambiental foram fatores mais relevantes para o aumento da perda florestal do que as condições climáticas favoráveis”, detalha a autora.

Garantir o funcionamento das usinas e a rentabilidade das colheitas no Paraná exige frear o desmatamento no Norte do país de imediato e integrar o planejamento estratégico energético e agrícola com a conservação ambiental. A manutenção da cobertura florestal da Amazônia se consolida como uma medida urgente de segurança hídrica, essencial para evitar o colapso nas matrizes econômicas das demais regiões brasileiras.

DOI: https://doi.org/10.1590/1519-6984.305468

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 24/7/2026, 4:00