24 de julho de 2026 Foto: Department of Pathology,Calicut Mecical College / Wikimedia Commons
Amazônia
A hanseníase diminuiu no Amazonas, mas a transmissão ainda persiste — especialmente entre crianças. Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen), que causa a hanseníase

Highlights

  • Artigo mostra que os diagnósticos na região passaram de 154 para 6,65/100 mil de 1981 a 2024
  • Para pesquisadores de universidades do Amazonas, características da região como vastidão e áreas de difícil acesso dificultam diagnóstico e tratamento da doença 
  • Mais de 170 mil casos de hanseníase foram registrados em 2024; a doença infectocontagiosa é transmitida pelas vias respiratórias

O número de casos de hanseníase detectados no Amazonas caiu quase 96% em quatro décadas. De 1981 a 2024, os diagnósticos na região reduziram de 154 para 6,65 casos por 100 mil habitantes, e a classificação mudou de região hiperendêmica para endemicidade média, de acordo com artigo de revisão científica publicado nesta sexta-feira (24) na Revista Brasileira de Medicina Tropical.

Apesar disso, especialistas em saúde pública alertam que a doença ainda não está sob controle na região amazônica, que tem comunidades geograficamente isoladas e por isso é considerada uma das mais desafiadoras para o combate à doença.

Segundo a análise, só em 2024 o estado notificou 326 casos de hanseníase, sendo que mais de 260 (80%) eram novos diagnósticos. A persistência de casos em crianças e em menores de 15 anos, que representaram 3,4% dos registros, indica que a transmissão continua ativa, especialmente em municípios de difícil acesso.

“A persistência de casos em crianças, o predomínio das formas multibacilares e a ocorrência de pacientes que já chegam ao diagnóstico com incapacidades físicas evidenciam que muitas pessoas continuam sendo diagnosticadas tardiamente”, afirma Carolina Talhari, uma das autoras do artigo e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas e da Fundação Alfredo da Matta de Dermatologia, principal centro de referência regional.

O artigo reforça o protagonismo do estado do Amazonas como produtor de conhecimento científico com impacto nacional e internacional. “O estado contribuiu para importantes avanços em diversas áreas, com estudos sobre resistência aos medicamentos, desenvolvimento e avaliação de novos esquemas terapêuticos, diagnóstico molecular, genética da suscetibilidade à doença, coinfecção hanseníase-HIV e vigilância genômica da resistência antimicrobiana”, diz Talhari.

A hanseníase, que chegou a ser conhecida e estigmatizada como lepra, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae e transmitida pelas vias respiratórias. A doença afeta a pele e nervos e pode causar manchas, dormência e fraqueza muscular. Em 2024, foram registrados mais de 170 mil casos no mundo, e o Brasil ocupou a segunda posição no ranking mundial de registros da doença, atrás da Índia — os dois países, somados à Indonésia, respondem por quase 80% dos casos globais.

Para Talhari, além de aumento em investimentos, é preciso atualizar políticas públicas que auxiliem na prevenção, na detecção precoce e no tratamento da doença.

DOI: https://doi.org/10.1590/0037-8682-0461-2025

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 24/7/2026, 4:00