29 de agosto de 2025 Foto: Gustavo Nacht / Unsplash
Amazônia
A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais

Highlights

  • Estudos do ITV e parceiros revelam que as mudanças climáticas amplificam a vulnerabilidade tanto da floresta como das populações locais
  • Adaptação às mudanças climáticas na Amazônia incluem restauração florestal, proteção da água e valorização de espécies alimentares locais
  • Documento recomenda criação de bancos de sementes e redes de coletores para conservar a diversidade genética de espécies úteis

Na Amazônia, impactos das mudanças climáticas como alterações na temperatura e no regime de chuvas comprometem a biodiversidade e, por consequência, a vida das populações que dependem diretamente da floresta para sua sobrevivência. A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais, a restauração florestal em larga escala e a proteção das águas – essenciais tanto para a produção agrícola como para o transporte na região, dependente das rotas fluviais. Também estão entre as medidas necessárias a proteção e restauração de serviços ecossistêmicos como a polinização e a dispersão de sementes, com a formação de bancos de sementes e redes de coletores, por exemplo, além da identificação de espécies alimentares resilientes às mudanças climáticas – e de sua diversidade genética.

É o que propõe o policy brief “Estratégias de Adaptação Climática Visando o Bem-Estar das Populações Amazônidas”, lançado na sexta (29) e elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) em parceria com autores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). A partir da literatura científica, o material reúne um conjunto de recomendações e ações para políticas públicas que garantam segurança alimentar e hídrica especialmente a povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, além de moradores das áreas rurais e urbanas.

A pesquisadora do ITV Tereza Cristina Giannini, coordenadora da publicação, explica que a iniciativa multidisciplinar reúne cientistas que trabalham com bioeconomia e sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia e faz parte de projetos em andamento vinculados ao ITV e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A principal motivação foi a constatação, em estudos prévios da equipe, de cenários negativos do impacto das mudanças climáticas sobre cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos da Amazônia, como a castanha-do-pará.

A equipe também busca responder à indicação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar a adaptação às mudanças climáticas, já que alguns impactos ambientais são irreversíveis, indo além de esforços voltados somente à mitigação – ou seja, à tentativa de redução dos efeitos das mudanças climáticas. “Às vezes, acredita-se que a mudança climática é unidirecional, mas não é. É um mosaico de impactos muito amplos e que envolve as comunidades humanas de um jeito complexo”, pontua Giannini.

Os projetos de pesquisa seguem adiante e têm como próximos passos a criação de uma cartilha sobre “plantas do futuro”, com foco em espécies potencialmente resilientes e pouco conhecidas; análise do impacto das mudanças climáticas em polinizadores agrícolas, especialmente os envolvidos na produção de cacau, açaí e castanha-do-pará; o mapeamento da vulnerabilidade alimentar de povos indígenas, identificando áreas onde essas populações podem ser mais afetadas por mudança de clima e vulnerabilidade alimentar; e a finalização de um trabalho sobre o genoma do cacau, buscando adaptações às mudanças climáticas para indicar possíveis melhorias genéticas e áreas de preservação.

“O policy brief foi uma grande síntese do conhecimento multifacetário que existe sobre impacto da mudança climática no que diz respeito à alimentação. Essa talvez tenha sido a maior contribuição: ter tantos pontos de vista diferentes e igualmente capacitados, engajados em expor a complexidade do tema e traçar caminhos possíveis”, conclui Giannini.

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 29/8/2025, 23:45 – Atualizado em 8/9/2025, 17:30