7 de novembro de 2023 Salvar link Foto: PELD Ilhas Oceânicas / UFSM
Ambiente
Os recifes de Parrachos (RN) foram escolhidos como os mais belos do país, dentre nove paisagens recifais brasileiras

Highlights

  • Pesquisadores avaliaram o valor estético de espécies e paisagens de nove recifes brasileiros, com questionários e imagens online
  • Muitas espécies de peixes mais valorizadas estão em perigo de extinção
  • Pesquisa pode servir para impulsionar medidas de conservação de recifes, como visitas monitoradas

Recifes do Nordeste como os encontrados em Parrachos, do Rio Grande do Norte (RN), são considerados os mais belos do país, em comparação a recifes de outros estados brasileiros como Santa Catarina e Rio de Janeiro. A paisagem e as espécies de peixes que habitam esses locais foram escolhidas como preferidas por turistas, mergulhadores, pesquisadores e pescadores. É o que mostra estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e instituições parceiras publicado na terça (7) na revista científica “Ocean and Coastal Management”.

Com um questionário online, os cientistas avaliaram o valor estético atribuído a nove recifes brasileiros, entre eles, alguns relevantes para o turismo brasileiro como: Parrachos de Maracajaú, Rio do Fogo e Perobas (RN), Arraial do Cabo (RJ), Costa dos Corais (PE/AL), Abrolhos (BA), as ilhas do Norte de Santa Catarina (SC) e o arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Outros locais avaliados incluem o arquipélago de Trindade e Martim Vaz (ES), o Atol das Rocas (RN) e o arquipélago de Alcatrazes (SP), totalmente protegidos por Unidades de Conservação.

Na pesquisa, imagens de 82 espécies de peixes e de 65 paisagens marinhas foram apresentadas a 320 pessoas, entre elas, turistas, mergulhadores, pesquisadores e pescadores, e cada um deles escolheu a imagem mais bela. “Para chegarmos a uma lista dos locais considerados mais belos, combinamos diferentes informações, como a área de recifes nesses locais, a abundância dos peixes e o seu valor estético, com base no número de votos que as espécies e as paisagens receberam”, diz Mariana Bender, pesquisadora da UFSM, co-autora do estudo.

Entre as espécies mais votadas estão algumas em perigo de extinção como a raia-chita, o tubarão-baleia e a raia-manta e espécies quase ameaçadas de extinção como o paru, o peroá e o cavalo-marinho-de-focinho-longo. A classificação do risco de extinção das espécies é da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais das espécies ameaçadas (IUCN).

Segundo Bender, esse é o primeiro estudo que avalia a percepção de pessoas sobre a beleza da costa brasileira, considerando espécies e paisagens. As cientistas entendem que, se as pessoas consideram algo mais bonito, é possível atribuir maior valor. “Isso é importante para compreendermos o valor da biodiversidade e aprimorarmos o trabalho de conservação com estratégias mais adaptadas para proteger algumas espécies”, explica a pesquisadora.

Uma observação apontada por Luiza Waechter, autora principal do estudo, é que os recifes mais valorizados pelos entrevistados são lugares que já sofrem intensas modificações de paisagem devido à ação humana, como a construção imobiliária e a poluição costeira. “Muitas das espécies de peixes consideradas mais belas são listadas como ameaçadas de extinção na lista nacional, incluindo o cavalo-marinho-de-focinho-longo, a garoupa verdadeira e o budião sinaleiro”, comenta.

As pesquisadoras acreditam que o estudo possa servir para orientar medidas de visitas monitoradas aos recifes para preservar as espécies e, também, o turismo e o comércio local, atividades que dinamizam a economia e a vida das comunidades locais. Elas pretendem estudar o valor estético de outras espécies em uma nova pesquisa, que avaliará a contribuição econômica dos recifes brasileiros para o mergulho e para a produção de recursos pesqueiros.

Coleção:

Termos de uso

Todos os releases sobre as pesquisas nacionais já publicados na área aberta da Bori (e que, portanto, não estão sob embargo) podem ser reproduzidos na íntegra pela imprensa, desde que não sofram alterações de conteúdo e que a fonte Agência Bori seja mencionada.

Veja como citar a BORI quando for publicar este artigo:

Fonte: Agência Bori

Ao usar as informações da Bori você concorda com nossos termos de uso.

Publicado na Bori em 7/11/2023, 23:45