3 de outubro de 2025 Foto: Imagem gerada por IA
Ambientemicroplásticos praia vermelha
Metodologia envolveu amostragem sistemática na linha de maré alta da praia para garantir resultados confiáveis

Highlights

  • Estudo da UFRJ identificou 32 itens microplásticos na Praia Vermelha (RJ); 70% dos resíduos são de poliestireno expandido, ou isopor
  • Descarte inadequado de embalagens para alimentação é principal causa da contaminação
  • Artigo estabelece protocolo padronizado para análise de amostras brasileiras, contribuindo para novos estudos em diferentes ecossistemas

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que a Praia Vermelha, cartão-postal carioca, sofre com o descarte inadequado de resíduos plásticos. No total, foram identificados 32 itens microplásticos, sendo que a maioria, 70%, é formada pelo poliestireno expandido, popularmente conhecido como isopor. O material é abundante em produtos descartáveis como embalagens de alimentos. Os resultados estão publicados em artigo na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências na sexta (3).

A pesquisa estabeleceu e validou um protocolo padronizado para a coleta, tratamento e caracterização de microplásticos em areias de praias costeiras. A metodologia envolveu amostragem sistemática na linha de maré alta, flotação (separação de partículas dá água por meio da flutuação) e tratamento laboratorial com microscopia óptica e Espectroscopia de infravermelho (FTIR) para garantir resultados confiáveis e minimizar a contaminação externa.

“Procuramos adaptar o protocolo às condições brasileiras, considerando fatores específicos como clima, velocidade do vento e marés, além de aspectos relacionados à latitude e longitude dos locais de coleta”, diz Marina Sacramento, pesquisadora da UFRJ e uma das autoras do artigo. Ela explica que essa abordagem é um avanço em relação a estudos anteriores, que frequentemente empregavam diferentes metodologias de coleta e extração, limitando a comparabilidade dos dados.

A pesquisa apontou que, entre os 32 microplásticos identificados na Praia Vermelha, os diâmetros médios das amostras variaram entre 2.1 e 4 milímetros. Os itens encontrados apresentaram formatos diversos, como espuma, filamentos e pequenos grânulos. Além do isopor, que corresponde à categoria de espuma, o polietileno e o polipropileno foram encontrados em menor proporção, representando cerca de 18% e 12% das amostras, respectivamente. Esses materiais podem ser encontrados em sacolas e filmes plásticos, copos descartáveis e tampas de garrafas.

A presença desses resíduos em uma praia pequena e de grande circulação turística, cercada por restaurantes e próxima ao Pão de Açúcar, reforça a preocupação com o descarte inadequado de plásticos em áreas costeiras. A equipe já esperava encontrar microplásticos no local. “No entanto, a grande surpresa foi a expressiva quantidade de poliestireno, proveniente das quentinhas de alimentação, especialmente durante os grandes feriados brasileiros”, afirma Marina Sacramento. O isopor é reciclável, mas seu reaproveitamento encontra desafios como o descarte incorreto e o baixo valor de mercado do material, que inviabiliza ganhos financeiros para catadores e cooperativas.

Além de dar continuidade às pesquisas na área, a equipe já possui outros projetos em andamento, com foco na análise de microplásticos em amostras de água do mar, de rios e de cachoeiras. A intenção é ampliar a compreensão sobre a distribuição e os impactos desses poluentes em diferentes ecossistemas aquáticos.

DOI: https://doi.org/10.1590/0001-3765202520250019

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 3/10/2025, 23:45