19 de setembro de 2025 Foto: Freepik
Biologiatubarões
Reconhecimento de espécies com dados genéticos já demonstrou resultados promissores em estudos-piloto

Highlights

●  A partir de 68 estudos, pesquisadores compilam técnicas que permitem identificar espécies de tubarões, raias e quimeras em produtos processados e na água do mar
●  Falta de padronização na aplicação dos testes e de bases genéticas mais completas ainda são desafios
●  Os resultados servirão de guia para gestores, pesquisadores e agentes ambientais responsáveis por monitorar e regulamentar o comércio de animais ameaçados

Uma solução acessível é capaz de reforçar o combate à pesca ilegal. Ferramentas rápidas de identificação a partir do DNA colhido diretamente de indivíduos ou do DNA ambiental – aquele presente em amostras de água, por exemplo, dispensando a captura dos animais – têm participação crescente no reconhecimento e na conservação de peixes cartilaginosos, como tubarões, raias e quimeras. É o que revela pesquisa publicada na revista Molecular Ecology Resources na sexta (19), liderada por cientistas de universidades brasileiras como a Estadual Paulista (Unesp, Botucatu) e estrangeiras, como a do Porto (Portugal) e a do Texas (EUA).

O estudo analisou a aplicabilidade de ferramentas moleculares rápidas a partir de 68 pesquisas realizadas entre 2000 e 2025 a partir de dez técnicas distintas, incluindo PCR multiplex, qPCR e LAMP, para traçar um panorama do potencial dessas abordagens no Brasil e no mundo. Essas ferramentas permitem detectar padrões genéticos específicos de uma espécie sem necessidade de sequenciamento completo, tornando o processo mais barato e ágil para gestores, agentes de fiscalização ambiental e pesquisadores.

O uso dessas ferramentas já demonstrou resultados promissores em estudos-piloto, permitindo a detecção de espécies ameaçadas em mercados de pescado e o monitoramento de populações em áreas marinhas. Mas o artigo revela que sua implementação ainda enfrenta desafios, como a falta de padronização dos protocolos e a necessidade de bases de dados genéticas mais completas.

Entre os achados, os Estados Unidos aparecem como líderes em desenvolvimento e aplicação dessas tecnologias (32% dos estudos), seguidos pelo Brasil (19%). No entanto, os esforços brasileiros ainda se concentram em DNA de tecidos, sem incorporar análises de DNA ambiental. Já países-chave no comércio internacional de tubarões, como China e Indonésia, têm pouco registro científico do desenvolvimento de recursos para identificação rápida.

Marcela M. Alvarenga, idealizadora do projeto e pesquisadora na Universidade do Porto, conta que o trabalho surgiu a partir do questionamento de um agente ambiental sobre a existência de recursos como primers para aplicar técnicas de identificação rápida. “Como resultado, disponibilizamos um guia de ferramentas moleculares rápidas e recursos para desenvolvimento de novas metodologias, que contribuirá muito para orientar profissionais na identificação genética de espécies e auxiliará nos esforços de conservação e fiscalização”, avalia. “Com o avanço das técnicas genéticas, agora podemos identificar espécies ameaçadas em tempo real, o que é um avanço significativo para a fiscalização e conservação”, complementa Ingrid Bunholi, autora principal do estudo e pesquisadora na Universidade do Texas em Austin (EUA).

O material suplementar do artigo reúne protocolos já testados para diferentes espécies, com lista de primers, enzimas e equipamentos necessários. Assim, o usuário pode escolher a técnica adequada, adquirir os insumos e aplicar diretamente em seu laboratório. A equipe conta que, além da publicação do artigo, trabalha na preparação de e-book e flyers que servirão como guias para a utilização das ferramentas genéticas na prática, a ser lançado ainda em 2025. As pesquisadoras sêniors Vanessa Paes da Cruz (Unesp) e Patrícia Charvet (uma das representantes, na América do Sul, do Shark Specialist Group da União Internacional para a Conservação da Natureza), destacam, ainda, a importância da capacitação contínua de profissionais e do investimento em laboratórios para que a tecnologia seja de fato aplicada aos esforços de manejo e conservação.

Coleção:

DOI: https://doi.org/10.1111/1755-0998.70044

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 19/9/2025, 23:45 – Atualizado em 22/9/2025, 17:09