Artigo publicado no Journal of Science Communication analisa quatro grandes agências de notícias científicas e aponta a Bori como modelo para ampliar o acesso público ao conhecimento científico.
Um estudo publicado recentemente no periódico internacional Journal of Science Communication analisou como press releases produzidos por quatro agências de notícias científicas podem alcançar públicos para além das redações jornalísticas. Entre os casos examinados está a Bori, destacada no artigo como um modelo para ampliar a circulação pública do conhecimento científico.
Assinado por pesquisadoras da USP (Universidade de São Paulo), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Universidade de Amsterdã, o estudo avaliou 20 textos de divulgação de estudos produzidos por quatro importantes agências de notícias científicas: EurekAlert, dos Estados Unidos; SMC UK, do Reino Unido; AlphaGalileo, da Europa; e Agência Bori, do Brasil. O objetivo foi medir até que ponto esses conteúdos são acessíveis, socialmente relevantes e úteis não apenas para jornalistas mas também para públicos mais amplos.
Para isso, as autoras criaram um índice de adequação social, chamado SARP, que considera sete critérios: informação técnica, fontes externas, impacto público, influência de relações públicas, legibilidade, design e acesso aberto. Quanto maior a pontuação, maior o potencial de uma agência de aproximar a ciência da sociedade. No ranking geral, a SMC UK ficou em primeiro lugar, com 94%, seguida pela Bori, com 68%, EurekAlert, com 66%, e AlphaGalileo, com 60%.
Quando se exclui da comparação o critério de uso de fontes externas — adotado apenas pela SMC UK —, a posição da Bori se fortalece ainda mais. Nesse recorte, a agência brasileira alcança 80%, à frente de EurekAlert (77%) e AlphaGalileo (70%), ficando atrás apenas da britânica, com 90%.
O estudo chama a atenção para o fato de que as agências de notícias científicas foram historicamente concebidas para abastecer redações com pautas e informações de interesse jornalístico. Mas esse cenário vem mudando. Com a circulação de conteúdos em redes sociais, sites próprios e reproduções integrais em portais de notícia, os textos preparados por agências especializadas passaram a alcançar também leitores que não são jornalistas. Isso amplia o papel dessas organizações na mediação entre ciência e sociedade.
É nesse contexto que a Bori aparece como exemplo de modelo híbrido, ao lado da SMC UK. Segundo as autoras, esse tipo de atuação combina práticas tradicionais de assessoria e divulgação com princípios jornalísticos orientados pelo interesse público. No caso da Bori, isso se expressa especialmente na produção de textos explicativos, que combinam características do press release com recursos narrativos e contextuais típicos da reportagem.
“Esse estudo é especialmente significativo para a Bori porque reconhece, com método, uma aposta que está na nossa origem: a de que comunicar ciência com interesse público, clareza e contexto amplia o alcance do conhecimento e fortalece sua circulação social”, afirma Ana Morales, cofundadora da Bori.
As pesquisadoras também observam que ainda há desafios importantes. Nenhuma das agências avaliadas pontuou no critério de acesso aberto, já que nenhuma oferece ao público geral um caminho gratuito e direto para os estudos originais. No caso da Bori, desde meados de 2024, os textos explicativos passaram a trazer o DOI (Digital Object Identifier) das pesquisas — um link permanente e único para documentos digitais, que facilita localizar artigos, documentos e outros materiais científicos na internet.
Para as autoras do estudo, iniciativas como essa ajudam a repensar o papel das agências de notícias científicas em um ecossistema de informação em transformação. Ao adotar critérios que tornam o conhecimento mais compreensível, relevante e acessível, organizações como a Bori podem contribuir para democratizar o acesso à ciência e fortalecer sua presença no debate público.
“Na Bori, fazemos um esforço editorial deliberado para divulgar estudos com diversidade de temas, de instituições de pesquisa pelo país, de gênero do/a porta-voz. Não se trata apenas de divulgar resultados da ciência brasileira, mas de mostrar à imprensa toda a sua imensidão e a sua diversidade”, afirma Sabine Righetti, cofundadora da Bori e pesquisadora do Labjor-Unicamp.
O reconhecimento da Bori nesse estudo dialoga diretamente com sua missão: conectar ciência e sociedade, fortalecendo o jornalismo e ampliando o acesso público a evidências científicas produzidas no Brasil.
