De que forma os aditivos alimentares afetam a nossa saúde? E o que a ciência já sabe — e ainda precisa descobrir — sobre esses ingredientes onipresentes nos ultraprocessados? Para responder a essas e outras questões, a Agência Bori reuniu, no dia 9 de maio, especialistas e jornalistas para uma conversa aprofundada e baseada em evidências. A Coletiva Bori Desvendando os aditivos alimentares: o que estamos consumindo? contou com apoio do Instituto Ibirapitanga e atraiu profissionais de veículos como UOL, TV Brasil, Deutsche Welle, Agência Pública e O Joio e O Trigo.
Aditivos são substâncias adicionadas a alimentos para modificar sabor, cor, textura ou prolongar a validade. Estão em pães embalados, refrigerantes, molhos e uma infinidade de produtos que compõem a rotina alimentar urbana. No entanto, o impacto do uso contínuo e combinado desses compostos ainda levanta dúvidas importantes.
A professora Adriana Bragotto, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, detalhou o papel do Comitê de Especialistas em Aditivos Alimentares da Organização Mundial da Saúde (JECFA, na sigla em inglês). O grupo avalia a segurança dessas substâncias com base em estudos toxicológicos e estabelece níveis considerados seguros para o consumo humano — os chamados “níveis de ingestão diária aceitável”.
Já a nutricionista e professora da UFSC Ana Carolina Fernandes alertou para potenciais efeitos adversos, como alergias em crianças e o risco de doenças cardiovasculares e obesidade, associados ao consumo de ultraprocessados. Ela defendeu a adoção do princípio da precaução diante de incertezas científicas e ressaltou a necessidade de mais estudos sobre os efeitos combinados de diferentes aditivos.
Francyne Souza, engenheira química e consultora da ACT Promoção da Saúde, e Priscila Diniz, coordenadora técnica da mesma organização, destacaram a importância histórica da ciência para a segurança alimentar — mas lembraram que é preciso estar atento à influência de interesses comerciais. Ambas criticaram a omissão de aditivos nos rótulos quando presentes em ingredientes compostos, como margarinas e embutidos, e o uso de substâncias apenas para potencializar a experiência sensorial, sem justificativa tecnológica.
Ao final, o debate deixou claro: há evidências robustas sobre os processos de segurança dos aditivos, mas também muitas lacunas que precisam ser enfrentadas com mais pesquisa, transparência e vigilância. Para os 19 jornalistas presentes, a coletiva foi uma oportunidade de se aprofundar em um tema de saúde pública com múltiplas camadas — que vão da toxicologia à política regulatória, passando por interesses da indústria e direitos do consumidor.
