Foto: NCPI
Finalistas do 3º Prêmio CIência pela Primeira Infância, promovido pelo NCPI e que foram treinados pela Bori
Publicado na Bori em 25/11/2025, 8:58

Pelo segundo ano consecutivo, a Bori conduziu o treinamento de comunicação com a imprensa para os finalistas do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo NCPI (Núcleo Ciência pela Infância). Neste ano, 12 pesquisadores participaram de dois dias intensivos de oficinas em outubro, aprendendo a transformar seus estudos em narrativas capazes de conectar ciência e sociedade.

A proposta da Bori foi muito além de ensinar técnicas de entrevista. O treinamento mergulhou nas engrenagens do jornalismo brasileiro, mostrando como as redações funcionam e o que torna uma pesquisa científica relevante para o noticiário. O ponto de partida foram casos reais — reportagens sobre artigos científicos que embasaram a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas, demonstrando o potencial transformador da comunicação científica bem-feita.

No primeiro dia, Ana Paula Morales, cofundadora da Bori, biomédica com especialização em divulgação científica pelo Labjor/Unicamp e mestre em farmacologia, abordou a importância da comunicação para pesquisadores e porque divulgar estudos pode fazer a diferença para a sociedade. Jacqueline Lafloufa, jornalista especialista em comunicação científica, explicou a anatomia de uma boa pauta: o que desperta o interesse de editores, como identificar o gancho noticioso em uma pesquisa e quais elementos transformam um estudo acadêmico em uma história que o público quer ler.

O segundo encontro trouxe Sabine Righetti, cofundadora da Bori e pesquisadora do Labjor/Unicamp, para falar sobre os desafios de se comunicar com jornalistas e o papel da imprensa na divulgação da ciência. 

A condução ficou por conta de Fernanda Pires, jornalista brasileira responsável pela comunicação na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Os participantes exploraram estratégias de divulgação que vão além do tradicional press-release e colocaram o aprendizado em prática através de um exercício progressivamente desafiador: apresentar suas pesquisas em pitches cada vez mais enxutos, até alcançar os cruciais 30 segundos do “elevator pitch”.

Durante todo o treinamento, os pesquisadores foram acompanhados por Letícia Naísa, jornalista de ciência e saúde com mais de uma década de experiência e passagem por grandes veículos, que ofereceu suporte à turma e compartilhou insights sobre o dia a dia das redações brasileiras.

O resultado? Pesquisadores prontos para darem entrevistas sobre seus estudos em vídeos divulgados durante a cerimônia de entrega do prêmio, realizada em 30 de outubro, em São Paulo.

A parceria entre NCPI e Bori reflete um compromisso compartilhado: fortalecer a ponte entre produção científica e políticas públicas no Brasil, garantindo que pesquisas sobre primeira infância — período crucial do desenvolvimento humano — alcancem gestores, educadores e famílias.

Nesta edição, cinco pesquisadoras tiveram seus trabalhos reconhecidos: duas na categoria mestrado e três na categoria doutorado, com estudos que revelam a diversidade de desafios da primeira infância brasileira.

Conheça as vencedoras

Lavínia Brasilino de Moraes – Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)
“Vai querer que eu pinte dessa cor mesmo? Marrom? Vai ficar feio!” Diálogos com crianças sobre as relações raciais na educação infantil do campo

Letícia Costa de Carvalho – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Saúde da primeira infância em Melgaço: articulação intersetorial e interseccional para a garantia de direitos no Marajó

Angela do Céu Ubaiara Brito – Universidade do Estado do Amapá (UEAP)
Paternidade e primeira infância: estudo de caso na comunidade da Ilha de Santana

Emilene Leite de Sousa – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
O acesso dos bebês indígenas em aldeamentos urbanos às creches públicas municipais

Vivian Siqueira Santos Gonçalves – Universidade de Brasília (UnB)
Implementação do Programa Criança Feliz Brasiliense em relação às habilidades parentais e ao desenvolvimento infantil no Distrito Federal – PIPA/DF