Qual o papel dos jornalistas, editores de revistas científicas e cientistas no processo de disseminação da ciência para a sociedade? Essa pergunta e muitas outras fizeram parte de bate-papos com jornalistas, cientistas e editores de revistas científicas durante o evento #TemciencianoBR no dia 23 de fevereiro em comemoração ao primeiro ano da Agência Bori. As rodas de conversa foram acompanhadas ao vivo por 350 pessoas e estão disponíveis no canal do youtube da Bori.

No bate-papo com cientistas, Gabriela Lotta (FGV/EAESP), Natália Pasternak (IQC) e Guilherme Longo (UFRN) contaram suas experiências em divulgar ciência durante a pandemia de Covid-19. Natália falou sobre o trabalho essencial da imprensa na cobertura da crise da saúde pública: “O curso noticiando vacinas foi uma das nossas grandes conquistas em 2020 para auxiliar ainda mais a mídia tradicional na boa comunicação de ciência durante a pandemia”, afirma a microbiologista. Ela também falou sobre as trocas de informações constantes entre ela e os repórteres de diferentes veículos. “De repente, você tinha uma enorme quantidade de jornalistas de todas as áreas cobrindo ciência e saúde me ligando para tirar dúvidas, se vale a pena dar notícia ou não”, comenta.

Em seguida, aconteceu a conversa com os editores de periódicos científicos, com Abel Packer representando a rede SciELO, Germana Barata, da Associação Brasileira dos Editores Científicos (ABEC), Carla Pavanelli, editora da Revista Neotropical Ichthyology e Regina Garcia de Lima, editora da Revista Latino-Americana de Enfermagem. Eles abordaram o papel do editor de revistas científicas, responsáveis por formatar a ciência, no processo de disseminação das pesquisas para um público mais amplo.

“Não é só o artigo que está sendo divulgado, a revista em que ele foi publicado também pode ter visibilidade” afirma Germana, membro da diretoria da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC) e pesquisadora de comunicação de ciência do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp. A pesquisadora reforçou que outros cientistas  ficam sabendo dos resultados de uma pesquisa também pela mídia, o que pode aumentar o número de citações do estudo. Ainda assim, ela acredita que o cientista precisa assumir um papel social mais amplo:. “A Covid-19 mostrou que a citação não é o único objetivo final dos artigos, temos uma missão muito mais relevante que é mudar políticas de saúde pública em cada país”, comenta.