Como funciona uma conferência sobre clima e o que os jornalistas precisam saber para acompanhar as discussões internacionais? Como conectar as evidências científicas sobre as mudanças climáticas com os impactos que sentimos em nosso cotidiano? Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021, a COP26, a Agência Bori realizou dois webinários voltados a jornalistas que cobrirão o evento, nos dias 7 e 13 de outubro, em parceria com a Embaixada Britânica.

Jornalistas de todas as regiões do Brasil, que atuam em veículos de abrangência local e nacional, como G1, Folha de S. Paulo e CNN Brasil participaram dos encontros. A diversidade dos participantes resultou em um diálogo que contemplou desde projeções climáticas que envolvem todo o planeta a desafios específicos de biomas brasileiros como a Amazônia e a Caatinga.

Os participantes tiveram a oportunidade de conversar com especialistas brasileiros e britânicos que acompanham de perto os efeitos das mudanças climáticas. Também puderam ficar a par das expectativas dos cientistas para a negociação na COP26, tendo em vista a necessidade de definir um plano de ação para fazer valer o Acordo de Paris. É urgente limitar o aquecimento do planeta a 1,5 °C e reduzir as emissões a zero até 2050, conforme lembrou Helen Adams, Diretora de Engajamento em Ciência da COP26.

No primeiro encontro, a conversa foi sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil. Liana Anderson, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), detalhou a contribuição dos incêndios florestais para o crescimento das emissões no Brasil. Já Marcelo Galdos, pesquisador da Universidade de Leeds, no Reino Unido, falou sobre as adaptações necessárias aos eventos extremos com foco na agricultura e no uso do solo.

Na segunda data, os jornalistas conversaram com Albert Klein Tank, diretor do Met Office Hadley Centre para Estudos e Serviços Climáticos do Reino Unido, e Helen Adams, que, além da atuação na COP26, é professora na King’s College, em Londres. Os jornalistas presentes puderam questionar os convidados sobre as estratégias que apontam para o combate ao negacionismo climático e quais consideram ser os principais equívocos das coberturas jornalísticas sobre o tema.