12 de maio de 2023 Foto: Raquel Portugal / Fiocruz Imagens
Medicina e Saúde

Highlights

  • Pesquisa analisa motivos que levaram grávidas de diversos países a não se vacinarem durante as pandemias de Covid-19, em 2020, e H1N1, entre 2009 e 2010
  • Desconfiança com relação às vacinas, medo e insegurança são alguns dos fatores que explicam hesitação vacinal do grupo nos dois surtos globais
  • Recomendação de vacinação durante o pré-natal e conhecimento sobre pandemia incentivaram gestantes a optar pela imunização

A informação de qualidade é fundamental para trazer segurança à população na hora de se vacinar — e, quando falta, pode gerar hesitação vacinal. Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) mostra que fatores similares fizeram com que gestantes, em diversos países, escolhessem não se vacinar durante as pandemias de Covid-19, em 2020, e de H1N1, entre 2009 e 2010. A desconfiança com relação às vacinas e a preocupação com a segurança da vacinação na gravidez foram motivos compartilhados por elas e estão descritos em artigo publicado na sexta (12) na revista científica “Texto & Contexto Enfermagem”.

O trabalho buscou entender que fatores afastaram as grávidas dos postos de vacinação não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, em momentos de pandemia, como a mais recente de Covid-19 e a de H1N1, em 2010. Nos dois momentos, houve resistência de gestantes a aderirem às campanhas de vacinação e, de fato, a tomarem vacinas contra as duas doenças. A partir de uma revisão na literatura acadêmica, feita em 2021, em bases de produção científica como Lilacs, Web of Science e Scopus, os autores identificaram 27 publicações científicas sobre vacinação em gestantes nestas pandemias — e extraíram desse material os fatores de hesitação vacinal deste grupo.

Segundo a análise, o acesso a informações teve um papel importante na aceitação da vacina pelas grávidas, assim como a recomendação e a orientação sobre vacinação durante o pré-natal. “No geral, a adesão à vacinação tende a ser mais alta quando as gestantes têm, também, conhecimento sobre a pandemia”, comenta a pesquisadora Patrícia Vasconcelos, coautora do estudo. A preocupação com a infecção e o desejo de proteger o bebê foram alguns dos motivos que levaram gestantes a se vacinar, segundo o trabalho.

De acordo com o levantamento de Vasconcelos, a adesão à vacinação por parte das gestantes foi um pouco melhor no surto de H1N1. “Já existia vacina da gripe e conhecimento sobre o vírus, então houve uma confiança maior da população no imunizante”, afirma a cientista. No caso da Covid-19, os dados sobre a vacina, ainda incipientes, inexistiam durante o andamento do estudo — o que pode ter colaborado para gerar desconfiança da população. A cobertura vacinal de gestantes contra o H1N1 melhorou com o passar dos anos, atingindo, em 2013, uma cobertura de 95,7%. A pesquisadora acredita que a vacinação de Covid-19 pode seguir a mesma tendência de aumento de adesão nos próximos anos.

Para haver maior adesão, a pesquisadora ressalta a importância da capacitação dos profissionais envolvidos no cuidado à gestante. “É uma população muito vulnerável a acreditar em notícias falsas, então o profissional de saúde tem que passar uma recomendação de forma confiante”, recomenda. Ela frisa que a desconfiança das gestantes se estende a outras vacinas obrigatórias do calendário vacinal, como a tríplice bacteriana, recomendada a partir da vigésima semana da gestação. Segundo ela, apenas 45% das grávidas tomaram essa vacina em 2020.

O estudo serve para alertar profissionais da área de saúde e gestores públicos sobre a necessidade de ampliar informações sobre vacinação para mulheres grávidas. Vasconcelos recomenda apostar em estratégias de capacitação desses profissionais para que eles saibam responder dúvidas sobre vacinação de gestantes, com base em evidências científicas. “Além disso, investir em campanhas de vacinação com foco neste público também poderia servir para aumentar a adesão vacinal”, orienta a pesquisadora.

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 12/5/2023, 23:45 – Atualizado em 8/7/2024, 16:10