22 de julho de 2022 Foto: Spencer Davis / unsplash
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Highlights

  • Pesquisa analisou mortes por acidentes de trabalho no estado da Bahia, entre 2000 e 2019 com dados do Ministério da Saúde (MS)
  • Trabalhadores negros morrem de forma mais precoce devido a acidentes de trabalho em comparação aos trabalhadores brancos
  • Análise sugere subnotificação na Bahia dos acidentes de trabalho, que equivalem a apenas 25% do total de registros de óbitos por acidentes no período

A construção histórica do racismo no Brasil interfere em diversas áreas de nossa sociedade, incluindo no padrão de mortalidade. Um estudo recente apontou que 85% dos óbitos notificados como acidentes de trabalho no estado da Bahia, de 2000 a 2019, envolveram trabalhadores negros. Os dados estão em artigo científico de pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Universidade Federal de Recôncavo da Bahia (UFRB) publicado na sexta (22) na “Revista Brasileira de Saúde Ocupacional”.

A pesquisa analisou as mortes de pessoas por acidentes de trabalho na Bahia segundo raça/cor de pele, utilizando dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. De 2000 a 2019, foram registradas mais de 2 mil mortes de pessoas entre 16 e 70 anos como decorrentes de acidentes de trabalho, por transporte ou outras causas externas, como traumatismo. A maioria dos registros por acidentes não especificava se a morte havia acontecido durante o trabalho. Assim, os dados analisados representam apenas 25% das declarações por acidentes de todo o período, o que pode indicar subnotificação dessas mortes.

Segundo a análise, trabalhadores negros também morrem de forma mais precoce devido a acidentes de trabalho. Isso é indicado pela taxa de anos potenciais de vida perdidos por causa da morte, índice que contabiliza quantos anos a pessoa poderia ter vivido se não tivesse sido acometida por uma fatalidade. Esse taxa é três vezes maior entre a população negra baiana que entre brancos.

Os dados mostram uma tendência estacionária nas mortes por acidentes de trabalho na Bahia ao longo dos anos. “A perda potencial de vida em decorrência de acidentes de trabalho está diminuindo ou estacionando”, analisa o pesquisador Felipe Dreger Nery, coautor do estudo, da UEFS. “Essa tendência, porém, iniciou mais cedo na população branca”, destaca.

Ao abordar a possibilidade de subnotificação de acidentes de trabalho na Bahia e, também, no Brasil, Nery aponta a importância do preenchimento correto da declaração de óbito pelos médicos, que dá qualidade a esse dado. “Quando alguém morre por acidente, idealmente se deveria investigar se se trata ou não de um acidente de trabalho, para então se preencher esse campo específico na declaração de óbito”, explica. “Sem esse preenchimento correto, não temos como conhecer a realidade”.

Como uma porcentagem pequena de dados foi analisada, no montante total de registros de mortes por acidentes, Nery salienta que é possível que o número de mortes de trabalhadores baianos seja muito maior, inclusive, por conta dos trabalhadores informais. A falta de dados, segundo o pesquisador, compromete a criação de políticas públicas para atender a população trabalhadora, o que a manteria mais anos no trabalho.

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 22/7/2022, 23:45 – Atualizado em 3/7/2024, 16:43