25 de julho de 2025 Foto: Leonardo Simplicio / Prefeitura Municipal de Niterói
Tecnologia e EngenhariaVista aérea de área de Niterói
Pesquisa da UFF mapeou e hierarquizou regiões de maior risco para deslizamentos de terra, orientando ações preventivas

Highlights

  • Cientistas da UFF desenvolveram um método que combina histórico, susceptibilidade do terreno e vulnerabilidade socioeconômica para mapear o risco de deslizamentos em comunidades de Niterói (RJ)
  • O método fornece subsídios para a hierarquização de áreas a serem analisadas no Plano Municipal de Redução de Risco de Niterói (RJ), apoiando uma gestão e mitigação de riscos baseados em evidências
  • A ferramenta pode ser aplicada em larga escala, com pouco apoio técnico, sendo ideal para o planejamento urbano de cidades periféricas de países em desenvolvimento

Áreas com alto risco de deslizamentos de terra agora podem ser identificadas e hierarquizadas, permitindo o planejamento de intervenções para mitigar riscos no território urbano, especialmente em periferias. Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), a metodologia foi construída com dados de Niterói (RJ) e publicada nesta sexta (25) na Revista Brasileira de Recursos Hídricos.

Foi desenvolvido um índice de risco, que leva em conta o histórico de ocorrências, a susceptibilidade do terreno e informações sobre a vulnerabilidade socioeconômica de seus residentes, permitindo ações de prevenção e mitigação de riscos baseadas em evidências. O município tem cerca de 117 comunidades, a maior parte situada em declives — fator que, somado às chuvas intensas e mudanças antropomórficas no relevo, agrava o risco de desastres.

O histórico foi obtido por meio de dados da Defesa Civil de Niterói, a susceptibilidade foi calculada segundo o modelo SHALSTAB (Shallow Landsliding Stability Model), que prevê a estabilidade do terreno segundo fatores físicos e topográficos, e a vulnerabilidade socioeconômica averiguada por meio da renda familiar média e o número de residentes registrados no CadÚnico.

Franciele Zanandrea, autora do estudo, relata que a validação em campo apresentou bons resultados, com correspondência dos cálculos às áreas consideradas de alto risco, o que auxilia de forma técnica e estruturada a priorização de intervenções para redução de risco em periferias. “O método fornece uma ferramenta técnica e replicável para orientar o uso de recursos públicos em ações de prevenção e mitigação de riscos, fortalecendo a gestão baseada em evidências. Os resultados permitem a priorização de ações estruturais, como obras de contenção, e não estruturais, como alertas e capacitações, contribuindo para a redução do risco de desastres”, afirma.

A pesquisadora também afirma que o método pode ser reproduzido por outras prefeituras, inclusive com recursos limitados, desde que disponham de dados como mapas topográficos, cadastros socioeconômicos e registros de ocorrências. “A utilização do índice demonstra viabilidade de aplicação em larga escala com suporte técnico limitado, o que é fundamental para contextos urbanos periféricos em países em desenvolvimento. Isso o torna uma ferramenta estratégica para democratizar o acesso ao planejamento urbano integrado à gestão de desastres, especialmente em contextos de alta vulnerabilidade social e restrições orçamentárias”, conclui.

DOI: https://doi.org/10.1590/2318-0331.302520250027

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 25/7/2025, 23:45