23 de maio de 2025 Foto: Freepik
AlimentosAbacates maduros agrupados, com um abacate cortado ao meio exibindo a polpa verde e o caroço.
Pesquisadores destacam o potencial do PVOH como solução sustentável para ampliar a durabilidade pós-colheita de frutas tropicais

Highlights

  • O revestimento com álcool polivinílico (PVOH) se mostrou promissor para a conservação de frutos do abacate, aumentando sua vida útil e reduzindo o desperdício
  • A técnica reduziu a taxa respiratória e a perda de massa dos frutos com mais eficiência do que o revestimento com amido, comumente utilizado, sem alterar a qualidade do fruto
  • Além de mais eficiente, o PVOH é um polímero biodegradável, tornando o método ecologicamente amigável, aponta estudo da UFV e UFCG

Uma nova técnica de conservação aumentou a durabilidade dos abacates e reduziu perdas em condições ambiente com mais eficácia do que o método tradicional. O recurso é um revestimento feito com 2% de álcool polivinílico (PVOH), um polímero biodegradável, que se mostrou mais eficiente que o amido — até então a principal substância usada para esse fim. A comparação foi feita por cientistas das universidades federais de Viçosa (UFV) e de Campina Grande (UFCG), em estudo publicado nesta sexta (23) na revista Ciência Rural.

O experimento foi realizado com abacates da espécie Persea americana, considerados altamente perecíveis por conta de sua alta taxa respiratória e produção de etileno, um hormônio gasoso que acelera o amadurecimento e a deterioração dos frutos após a colheita. Os pesquisadores compararam seis grupos de frutos, revestidos com soluções aquosas que variavam em suas concentrações de amido e de álcool polivinílico. As diferenças foram analisadas antes da aplicação e nos dias 4, 7 e 11 de armazenamento, com o objetivo de avaliar seu potencial de melhorar as características fisicoquímicas dos abacates em um período de até 11 dias.

Os frutos tratados com 2% de PVOH apresentaram a menor taxa de respiração durante todo o período avaliado, demonstrando eficácia na redução da troca gasosa com o ambiente. Além disso, esse grupo e o que recebeu a combinação de 0,75% de amido e 1,5% de PVOH também se destacaram pela menor perda de massa. Já os parâmetros de acidez, firmeza e sólidos solúveis totais não apresentaram diferenças significativas entre os grupos, indicando que os filmes não alteraram a qualidade interna do fruto.

A performance do PVOH surpreendeu os pesquisadores. “Embora o amido seja frequentemente utilizado em revestimentos devido à sua capacidade de formar barreiras contra a perda de umidade e trocas gasosas, os resultados mostraram que o PVOH conseguiu não apenas igualar, mas superar essa eficácia em termos de redução da taxa respiratória e da perda de massa. Isso indica que o PVOH pode ter propriedades que o tornam mais adequado para a conservação do abacate, o que pode levar a novas aplicações e estudos sobre seu uso em outras frutas e vegetais”, relata Vanessa Caroline de Oliveira, autora do estudo.

A pesquisadora afirma que a discussão sobre a conservação do abacate pode ser enriquecida ao considerar a sustentabilidade dos materiais de revestimento, como o PVOH, que é biodegradável e ecologicamente amigável. “O uso de PVOH surge como uma alternativa prática e eficaz que pode incentivar a pesquisa em outros polímeros biodegradáveis que ofereçam benefícios semelhantes. Além disso, uma abordagem holística, que inclua práticas adequadas de manejo pós-colheita e armazenamento, pode maximizar a eficácia dos revestimentos, e o sucesso do PVOH em conservar abacates pode ser estendido a outras frutas”, conclui Oliveira.

 

 

 

 

 

DOI: http://doi.org/10.1590/0103-8478cr20240114

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Fonte: Agência Bori


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Publicado na Bori em 23/5/2025, 23:45