18 de setembro de 2025 Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Alimentosalimentação escolar
Objetivo do estudo foi comparar a oferta de lanches ou refeições no cardápio escolar com base no custo-benefício

Highlights

  • Em análise custo-efetividade realizada em escolas de município catarinense, refeições como arroz, feijão, carne e salada tiveram menor custo de preparo
  • Apesar do maior custo, lanches com salada, frutas e laticínios destacaram-se na qualidade nutricional
  • Formulação de cardápios deve considerar realidades locais e considerar variações de custos associadas a mão-de-obra e infraestrutura

Refeições como o clássico arroz e feijão têm melhor desempenho na relação entre custo e qualidade nutricional do que lanches em escolas públicas de um município catarinense.
É o que mostra artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade de São Paulo (USP) publicado na revista Cadernos de Saúde Pública na sexta (19). Os resultados podem otimizar os recursos públicos para o combate à fome e à insegurança alimentar.

O estudo avaliou 191 dias de alimentação, no ano letivo de 2021, em escolas públicas de Morro da Fumaça (SC). O objetivo foi comparar a oferta de lanches ou refeições no cardápio escolar com base no custo-benefício. São considerados lanches os cardápios com pão, bolo, bolacha ou rosca como principal fonte de carboidrato, geralmente acompanhado por café, leite ou suco integral e uma porção de fruta. Já as refeições seriam as preparações que envolvem cozimento e produção mais elaborada, com maior mão-de-obra e tempo para preparo, como arroz, feijão, macarrão e carnes, acompanhados de saladas e uma porção de frutas como sobremesa.

Os pesquisadores aplicaram razão custo-efetividade para relacionar o custo monetário de cada dia de alimentação (segundo as Autorizações de Fornecimento da Prefeitura Municipal) com os benefícios nutricionais, estimados pelo Índice de Qualidade da Refeição (IQR). O índice foi adaptado para considerar a oferta de 20% da necessidade nutricional diária dos alunos.

Em geral, os lanches apresentaram maior custo — o que já era esperado pela equipe, por serem adquiridos prontos de terceiros — mas também uma maior pontuação no IQR, o que surpreendeu os pesquisadores. “Uma das explicações que encontramos para isso é que os lanches desse cardápio específico eram bastante variados e compostos por alimentos de boa qualidade, como sanduíches de carne/frango com salada, leite com cacau/café, suco integral sem açúcar, produtos da agroindústria familiar da região e boa oferta de frutas”, ressalta Daniele Botelho Vinholes, pesquisadora da UFCSPA e uma das autoras do artigo.

O ponto central, porém, foi a eficiência econômica: refeições obtiveram uma mediana de custo-efetividade superior à dos lanches — o que significa que elas entregam mais qualidade nutricional por real investido. Os lanches apresentaram maior quantidade de carboidratos, gorduras, fibras alimentares, ferro, vitamina C, gorduras saturadas e açúcares de adição. As refeições, por sua vez, mostraram-se significativamente mais ricas em proteínas e gorduras insaturadas do que lanches, mas com maior quantidade de sódio e colesterol. Para as refeições, cardápios com maior qualidade nutricional também eram mais caros.

Porém, esta é uma análise que demanda cautela, como ressalta Vinholes. “Visto que no cálculo dos custos foram considerados somente os gastos com os insumos alimentares, em uma análise mais complexa, que considerasse os custos com mão de obra, gás, luz, água e demais gastos envolvidos, os resultados encontrados poderiam ser diferentes”. Ainda assim, técnicas de análise econômica custo-efetividade podem auxiliar a tomada de decisão do gestor de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), sobre quais refeições irão compor o cardápio e o impacto que essa decisão terá sobre o orçamento. “Em compras públicas, essa análise deveria ser primordial”, conclui a pesquisadora.

DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT199024

Termos de uso

Todos os releases sobre as pesquisas nacionais já publicados na área aberta da Bori (e que, portanto, não estão sob embargo) podem ser reproduzidos na íntegra pela imprensa, desde que não sofram alterações de conteúdo e que a fonte Agência Bori seja mencionada.

Veja como citar a BORI quando for publicar este artigo:

Fonte: Agência Bori


Ao usar as informações da Bori você concorda com nossos termos de uso.

Publicado na Bori em 18/9/2025, 23:45 – Atualizado em 19/9/2025, 13:40