O oceano entrou na agenda da COP de forma inédita nesta edição, em Belém, na Amazônia brasileira, evidenciando a indissociabilidade entre o verde da floresta e o azul das águas do mar. Estamos na Década do Oceano — iniciativa da UNESCO para fortalecer o conhecimento e a conservação dos ambientes marinhos entre 2020 e 2030 -, e a Bori, em parceria com a Rede Ressoa Oceano, acompanha de perto os impactos da crise climática nesses ecossistemas, cuja integridade é fundamental para reduzir emissões globais.
A pauta oceânica ganhou força já no início da COP30 com base sólida na ciência, através da atuação da primeira enviada especial para o tema, Marinez Scherer, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), responsável por levar demandas da sociedade civil aos espaços de decisão. A criação do comitê científico da COP, presidido por Thelma Krug, ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC), e a presença constante nas agendas de pesquisadores como Carlos Nobre, da Universidade de São Paulo (USP), reforçaram a importância de integrar a ciência às negociações.
Os especialistas evidenciaram a centralidade do oceano na regulação climática do planeta. Nobre destacou, por exemplo, a influência das correntes marítimas e ventos vindos do Atlântico na umidade da floresta amazônica – que, por sua vez, forma os chamados rios voadores, responsáveis por parte da chuva nas regiões mais ao sul do país. Discussões em pavilhões como o do Oceano e o da Ciência Planetária abordaram temas como o papel dos manguezais no sequestro de carbono e a capacidade do oceano de absorver mais de 90% do excesso de calor e cerca de 30% do CO₂ da atmosfera.
Como resultado dessa visibilidade do tema, a Agenda Global de Ação Climática da COP30, que orienta a implementação dos temas discutidos no evento, incluiu compromissos de proteção e restauração de ecossistemas marinhos e costeiros, a serem monitorados pela plataforma Oceans Breakthroughs Dashboard, lançada durante a Conferência.
Em sintonia com o que rolou na COP30, já mostramos, aqui na Bori, que além de ocasionar a perda de geleiras e o aumento do nível do mar, o aquecimento das águas pode afetar a produtividade pesqueira. E que a acidificação causada pelo aumento de CO₂ na água afeta diretamente organismos com estruturas formadas por carbonato de cálcio, como corais e moluscos.
O branqueamento dos recifes de corais, já irreversível em algumas regiões, foi lembrado pela pesquisadora Regina Rodrigues, da UFSC, durante a agenda temática na COP30. Outra pesquisa divulgada pela Bori, nesse sentido, já alertava que a perda dos corais brasileiros pode gerar um efeito cascata em outras espécies e afetar diretamente atividades como pesca e turismo.
O oceano é um tema transversal: fundamental para mitigar a crise climática, estratégico para setores econômicos diversos (da produção de alimentos ao transporte e à infraestrutura), além de essencial quando se fala em preservar uma biodiversidade singular. A Bori aproveitará o pique de sua participação na COP30 para seguir acompanhando esses debates, contribuindo para que decisões públicas sejam guiadas por evidências sólidas e pela ciência produzida no Brasil.
