13 de junho de 2020 Foto: Tim Marshall / Unsplash

Por Marina Gama e Jeferson Lana

Crises acontecem mesmo com organizações que desenvolvem estratégias para evitá-las. Podem crescer de forma muito rápida e, com isso, prejudicar a rentabilidade da empresa, sua reputação e a credibilidade dos gestores. Esse é o cenário que está sendo vivido atualmente por grande parte, se não todas, as corporações no mundo, em razão da crise da Covid-19. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), há previsão de queda do comércio global entre 5 e 30% em 2020, e, apesar de a rentabilidade das empresas estar em risco, muitas têm desenvolvido planos de ação para auxiliar a sociedade nos impactos da crise e melhorar sua reputação.

Por exemplo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) juntou-se a ArcelorMittal, Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Ford, General Motors, Honda, Jaguar Land Rover, Renault, Scania, Toyota e Vale para realizar manutenção nos respiradores mecânicos que estão sem uso. A Vale disponibilizou sua infraestrutura logística e escritórios na China para adquirir mais de 500 mil testes rápidos para a Covid-19. O setor calçadista também mudou sua estrutura de produção e está fabricando máscaras, calçados especiais e uniformes para atender ao setor de saúde. Essas ações das empresas brasileiras seguem outras tantas ao redor do mundo, como as da Apple ou da Didi Chuxing.

As corporações estão trabalhando de forma efetiva nas questões sociais e auxiliando os governos e a sociedade a enfrentar a crise. Essas atividades, entretanto, deveriam perdurar para além da crise, pois ações sociais e ambientais são de extrema importância para o país, e os stakeholders têm a expectativa crescente de que as empresas devem realizá-las. Segundo o Business Roundtable (organização não governamental com base em Washington, D.C., em que os membros são presidentes das principais corporações dos Estados Unidos), um dos grandes desafios das empresas no século 21 é gerar valor de longo prazo para todos os stakeholders, com ações que almejem prosperidade e sustentabilidade compartilhadas entre negócios e sociedade.

Para que as ações sociais e ambientais sejam efetivas, é importante que as empresas reflitam sobre o uso da cadeia de parcerias com instituições, fundações e organizações da sociedade civil. São esses órgãos que têm a expertise em lidar com situações extremas e que conseguem chegar na ponta e atingir os mais necessitados. Por exemplo, o Instituto Votorantim firmou parceria com instituições de saúde e entidades privadas da sociedade civil ao fazer aportes financeiros em projetos sociais para auxiliar na crise da Covid-19. Enquanto o setor privado precisa fazer um esforço do zero para desenvolver, sozinho, essas ações, as organizações sem fins lucrativos já têm a habilidade de lidar com situações complexas. Portanto, utilizando as redes dessas organizações, as empresas conseguirão desenvolver de forma mais eficiente sua atuação em responsabilidade social corporativa.

 

Sobre esse artigo

Marina Gama é docente da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP) e Jeferson Lana é professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Essa análise foi publicada originalmente na revista “GV Executivo” em 12 de junho.

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Publicado na Bori em 13/6/2020, 18:10 – Atualizado em 17/2/2021, 16:56