Confira como foi o 1º curso “Explorando pautas alimentares” para jornalistas

Para introduzir jornalistas ao conceito e às questões contemporâneas sobre sistemas alimentares, a Agência Bori realizou, nos dias 29 e 30 de setembro de 2021, seu primeiro curso sobre o tema para profissionais da imprensa que cobrem ciência, saúde, bem-estar e áreas correlatas.

Intitulado “Explorando pautas alimentares”, o curso trouxe palestras e bate-papos sobre a estrutura e os impactos dos sistemas alimentares hoje vigentes. O programa teve apoio do Instituto Ibirapitanga.

Nesta primeira edição, a Bori recebeu 27 jornalistas de todas as regiões do país e de uma diversidade de veículos: estiveram presentes profissionais de grandes grupos de comunicação (como Rede Globo, Folha de S. Paulo e UOL), da imprensa local (como Zero Hora e Gazeta do Povo) e de veículos especializados (como a Articulação Semiárido Brasileiro e a newsletter Fogo Baixo).

Um dos pilares da Bori e ponto crucial no processo seletivo, a diversidade potencializou as interações entre participantes e palestrantes, gerando discussões ricas e fortalecendo a comunidade de jornalistas da agência.

A programação incluiu uma palestra sobre o conceito e a importância dos sistemas alimentares (Josefa Garzillo/USP), uma mesa de discussão sobre a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (Ana Paula Bortoletto/Cátedra Josué de Castro e Janine Giuberti/Idec), um bate-papo sobre impactos dos sistemas na saúde humana e planetária (Aline Carvalho/USP e Jacqueline Silva/Universidade de Edimburgo) e uma palestra sobre responsabilidade corporativa socioambiental (Manuela Santos/FGVces).

A agenda permitiu aos participantes entender e desenvolver uma visão crítica sobre os sistemas alimentares, desde a produção até o consumo de alimentos. “Ter uma noção mais sistêmica dos processos de produção, processamento, distribuição e consumo dos alimentos é essencial para desenvolver reportagens mais amplas. É uma forma de oferecer ao leitor uma perspectiva  mais completa dos impactos dos sistemas alimentares”, diz Murilo Bomfim, coordenador da área de sistemas alimentares da Bori.

“Explorando pautas alimentares” já tem uma segunda edição prevista entre novembro e dezembro de 2021. Para participar da seleção, é preciso estar cadastrado como jornalista na Bori. Fique de olho no site e redes sociais da agência, onde serão anunciadas as datas de inscrição.

 

A opinião dos participantes

“A seleção de jornalistas participantes foi bastante diversa e a forma com que as palestrantes fizeram suas exposições esteve bastante acessível.” Flávia Schiochet (Newsletter “Fogo Baixo”)

“O conteúdo trazido pelas professoras foi muito rico, especialmente porque o curso contou com um grande público formado por jornalistas de veículos de grande circulação, que puderam ter contato com uma diversidade de assuntos, alguns, inclusive pouco explorados na grande mídia.” Adriana Amâncio (Articulação Semiárido Brasileiro)

“O que mais me chamou atenção foram as palestras sobre os sistemas alimentares e sua relação com o meio ambiente.” Ana Dorneles (Rede Globo)

“Destaco as relações entre alimentação e saúde, com dados e índices que eu não conhecia. Além disso, palestrantes sugeriram e disponibilizaram boas ferramentas para apuração.” Natalie Vanz (Folha de S. Paulo)

Pesquisa avalia percepção de jornalistas e cientistas sobre a divulgação científica via Bori

Por Fernanda Andrade*

No último ano, a Bori antecipou centenas de pesquisas brasileiras a jornalistas de todo o país cadastrados na plataforma, realizou cursos voltados ao auxílio da cobertura de ciência por jornalistas e criou bancos de fontes com contatos de cientistas aptos a falar com jornalistas sobre grandes temas da ciência brasileira. Durante esse período, montamos uma rede de cientistas e jornalistas que, hoje, compõem nossa comunidade e nos ajudam a levar ciência de qualidade para a imprensa e sociedade!

Conhecer as demandas desses jornalistas e cientistas em relação à disseminação científica no país é um dos desafios enfrentados pela Bori e é fundamental para que possamos localizar erros, acertos e entender como podemos melhorar.

Assim, com o objetivo de avaliar a qualidade da nossa divulgação da ciência brasileira durante nosso primeiro ano de trabalho e buscar formas de aprimorar ainda mais esse processo, convidamos você, jornalista e cientista da comunidade Bori, a responder à breve pesquisa “Percepção de jornalistas e de cientistas sobre a divulgação científica via Agência Bori” neste mês de outubro. A ideia é compilar opiniões, por meio de questionário online, sobre os serviços oferecidos pela Bori, seu impacto no trabalho de jornalistas e cientistas e quais demandas ainda existem nesse cenário.

Se você é um jornalista cadastrado na Bori, cientista de um de nossos bancos de fontes ou cientista com pesquisa disseminada por nós no nosso primeiro ano de atuação, cheque seu e-mail — inclusive no spam — e participe da pesquisa! O questionário é anônimo, segue os protocolos éticos aprovados pelo Comitê de Ética e Pesquisa (registro CAAE: 50704821.3.0000.8142), leva cerca de dez minutos para ser respondida e permanece aberta até o dia 31 de outubro.

As respostas vão nos ajudar a entender como evoluímos desde outro levantamento que fizemos para ajudar a desenhar a Bori, em 2019, com 140 jornalistas e 1.681 cientistas de todo o país. A ideia agora é dialogar com a literatura recente sobre jornalismo científico e produzir novas evidências sobre estratégias de comunicação com base na nossa experiência na Bori.

Com a sua ajuda, podemos entender quais lacunas a Bori ainda deve preencher para levar ainda mais ciência à sociedade. Sua participação é fundamental para nós!

 

*assistente de pesquisa na Bori em iniciação científica e aluna de ciências biológicas na Unicamp

 

Infovacina: confira os jornalistas selecionados para o programa de mentoria da Bori com o Sabin

Vinte cinco jornalistas foram selecionados para integrar a rede InfoVacina, mentoria jornalística inédita da Agência Bori apoiada pelo Sabin Vaccine Institute. Esses profissionais receberão apoio, durante quatro meses, para desenvolver boas histórias sobre vacinas, com mentoria e sessões com especialistas sobre  conhecimentos técnicos sobre vacinas e dados de vacinação.

O programa recebeu 71 inscrições de jornalistas de todo o país, o que dá mais de 3 concorrentes por vaga. Critérios como qualidade das matérias jornalísticas enviadas pelo jornalista na primeira etapa da seleção, distribuição regional, de veículo, de gênero e de raça foram levadas em conta para chegar à lista dos 25 selecionados.

Confira, abaixo, quem são os jornalistas que integram a rede:

 

Alessandra Leite – Freelancer

Amanda Milléo – Agência Einstein

Ana Bottallo – Folha de S. Paulo

Anderson Santana – Freelancer

Bruna de Alencar – G1/Globonews

Bruno Fonseca – Agência Pública

Fabiana Schiavon – revista Veja Saúde

Fred Santana – Vocativo

Gabriela Rangel – Rádio CBN

Gabriela Custódio – O Povo

Gustavo Queiroz – Estadão

Karoline Caldeira – O Liberal

Luís Felipe dos Santos – Aos Fatos

Luiza Vidal – Uol Viva Bem

Luiza Caires – Jornal da USP

Mariana Hallal – Estadão

Maria Carolina Santos – Marco Zero Conteúdo

Marcel Hartmann – GZH, Zero Hora e Rádio Gaúcha

Mônica Tarantino – Freelancer

Priscila Pacheco – Aos Fatos

Victor Silva – Freelancer

Pedro Marra – Correio Braziliense

Tatiana Farah – Freelancer

Thiago Aquino – Agência Tatu

Yael Berman – Agência France-Press

 

 

 

 

Pesquisa sobre perfil racial da imprensa brasileira conta com o apoio da Bori

Conhecer o perfil racial da imprensa brasileira e, mais ainda, o seu impacto na produção jornalística nacional são desafios importantes quando o assunto é diversidade no jornalismo. Sintonizada com esse tema, a Bori se tornou apoiadora da pesquisa “Perfil Racial da Imprensa Brasileira”, que tem como objetivo mapear a diversidade das redações de todo o país.

Idealizada pelo Jornalistas&Cia, Portal dos Jornalistas e Instituto Corda, a pesquisa vai coletar dados de jornalistas trabalhando em redações de todo o Brasil, por meio de um questionário virtual até o dia 30 de setembro. Em uma segunda etapa, 200 jornalistas serão entrevistados, por telefone, sobre questões mais sensíveis à temática racial.

A ideia é abranger os 61 mil jornalistas em atividade nas cinco regiões do país e, por isso, a articulação com associações de jornalistas e veículos se mostra fundamental. Além da Bori, a iniciativa recebe apoio institucional da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Associação dos Jornalistas de Educação (Jeduca), Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), Universidade Zumbi dos Palmares e outros.

“O objetivo é fazer um recenseamento racial nas redações, contribuindo para que o jornalismo possa caminhar de forma mais ágil em direção à diversidade e à inclusão, passando a ser mais equilibrado em seus quadros de colaboradores e no próprio noticiário, em especial no que diz respeito à questão racial”, explica Eduardo Ribeiro, diretor do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia.

A diversidade é ponto-chave no delineamento das ações da Agência Bori junto às comunidades de cientistas e jornalistas. Ainda assim, não conseguimos acessar determinados dados sobre o perfil racial de pesquisadores e de jornalistas brasileiros, por serem escassos. Ao trazer um panorama racial dos jornalistas brasileiros, os resultados dessa pesquisa podem ajudar a Bori e outras iniciativas a aprimorar suas ações e promover a diversidade na cobertura jornalística no país.

Bori apoia 1º Congresso Brasileiro de Divulgação Científica

Diante das dimensões da Covid-19, o papel da ciência ganhou relevância nos mais variados estratos da população brasileira e mundial. De outro lado, porém, a ocorrência da pandemia desencadeou um movimento sem precedentes de descrédito da ciência, com a criação abundante de fake news. Essa foi uma das motivações para a realização do 1º Congresso Brasileiro de Divulgação Científica, que ocorre de 27 a 30 deste mês, com o tema “Divulgação Científica e negacionismo em tempos de desinformação”. O evento, online e gratuito, conta com o apoio institucional da Agência Bori.

O objetivo do encontro é ampliar o debate sobre a ciência e a divulgação científica e promover o diálogo entre seus agentes – jornalistas de todas as áreas, cientistas, professores, divulgadores, pesquisadores e estudantes. A programação conta com palestras, mesas-redondas, apresentação de trabalhos e de cases e minicursos.

A Agência Bori será tema de case apresentado no dia 29/9, a partir das 17h. A mesa “Divulgação científica na pandemia: aprendizado e legado – Jornalismo“, coordenada pela co-fundadora e coordenadora da Bori, Sabine Righetti, acontecerá no mesmo dia, às 20h, e contará com a participação de Cláudia Collucci, repórter especial e colunista de saúde da Folha de S. Paulo, Letícia Vidica, gerente de conteúdo da CNN Brasil, Mariana Varella, editora-chefe do Portal Dráuzio Varella, e Mílton Jung, apresentador do Jornal da CBN.

Entre os palestrantes também estarão Renato Janine Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC); Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz; Wilson Bueno, jornalista de ciência e professor sênior da USP; Carlos Vogt, ex-reitor da Unicamp e coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp); Hugo Aguilaniu, diretor presidente do Instituto Serapilheira; Douglas Falcão Silva, presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCM), entre outros cientistas e jornalistas que são referência em pesquisa e em divulgação científica.

O congresso é organizado pela Acadêmica Agência de Comunicação e tem o patrocínio da Agência Fapesp e do Instituto Serrapilheira. As inscrições podem ser feitas neste link.

Bori lança InfoVacina: programa inédito de mentoria para jornalistas sobre vacinas

A Agência Bori lançou, na quarta (1), seu primeiro programa de mentoria jornalística para a cobertura do tema vacinas, o InfoVacina. O programa vai acompanhar e oferecer apoio ao longo de quatro meses a 20 jornalistas de todas as regiões do Brasil interessados em contar boas histórias sobre vacinas, entre elas, a da Covid-19.

A partir de outubro de 2021, os selecionados participarão de sessões fechadas quinzenais com especialistas renomados e sessões especiais de mentoria de dados e médica para desenvolver e aprofundar pautas sobre o tema. As sessões com especialistas trarão temas “quentes” sobre vacinas, demandados pelos jornalistas participantes, e também considerados necessários de estarem na agenda da imprensa.

A ideia, com o InfoVacina, também é formar uma rede entre jornalistas para a troca de informações sobre vacinas e sobre as dificuldades de cobrir o tema.

Mentoria com especialistas

A mentoria de dados ficará a cargo de Marcelo Soares, jornalista de dados e fundador da Lagom Data. Pioneiro no jornalismo de dados no Brasil, atuando com o tema desde a década de 1990, Soares utilizará sua experiência na área para orientar os vinte jornalistas do InfoVacina a utilizarem as potencialidades de bases de dados para produzirem pautas densas, aprofundadas e criativas.

O imunologista e pesquisador da USP, Gustavo Cabral, será o mentor médico do programa e ajudará os jornalistas a interpretar as últimas atualizações sobre vacinas de Covid-19 e outras campanhas de imunização.

Denise Garrett, médica epidemiologista e vice-presidente da Sabin Vaccine Institute, atuará como consultora do programa. Com vinte e três anos de experiência no Center for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, em projetos de controle de doenças infecciosas, Denise tornou-se uma voz expoente para falar sobre estratégias de controle da Covid-19  na imprensa e nas redes sociais.

 

Prêmio para reportagens inovadoras

Ao final do programa, os jornalistas participantes concorrerão ao Prêmio InfoVacina, que concederá até R$10 mil a reportagens com perspectivas inovadoras sobre vacinas desenvolvidas ao longo dos quatro meses da rede. A ideia é fomentar narrativas e perspectivas originais sobre o tema, que levem informação de qualidade para a sociedade brasileira.

 

O InfoVacina é a segunda grande ação de apoio à cobertura de vacinas da Agência Bori, com apoio do Sabin Vaccine Institute e apoio institucional do Instituto Serrapilheira. Em 2020, a Bori realizou o curso Noticiando Vacinas para 50 jornalistas de todas as regiões do Brasil, de veículos de comunicação como os jornais O Globo, Estadão, O Povo, Correio Braziliense, El País, site Vocativo, Brasil de Fato Bahia e outros. O curso que deu origem ao Manual Noticiando Vacinas, com informações básicas sobre o tema para jornalistas.

Conheça os cinco critérios de seleção de estudos para disseminação da Bori

Escolher pesquisas científicas que podem virar pauta para o jornalismo de todo o país é uma das tarefas que mais ocupam tempo e energia da equipe da Bori. A cada novo estudo, debatemos o nosso processo de curadoria jornalística sobre ciência — sempre atentos a critérios como qualidade e diversidade e, claro, às demandas da nossa comunidade de jornalistas. A Bori, afinal, é uma iniciativa voltada para a imprensa.

Para se ter uma ideia, acessamos hoje uma média de cem estudos científicos por dia que estão em vias de publicação e que contam com a participação de pesquisadores brasileiros — dos quais temos de selecionar, em média, três por semana para disseminação à imprensa.

São trabalhos de periódicos indexados na biblioteca eletrônica SciELO e associados à ABEC (Associação Brasileira de Editores Científicos), que acessamos por meio de parceria institucional, e estudos que  os pesquisadores nos enviam diretamente pelo site da Bori. Também recebemos livros dos autores e de editoras parceiras como a Editora Unicamp e a Editora da Fiocruz e relatórios técnicos de grupos de pesquisa.

Temos um olhar especial para trabalhos em grandes temas aos quais a Bori se dedica, que atualmente são dois: Covid-19 e Sistemas Alimentares. Todos os trabalhos, no entanto, passam pelos mesmos critérios de curadoria.

A escolha dos trabalhos científicos que antecipamos para a imprensa na Bori — acompanhados de um texto explicativo produzido por nós e do contato de um porta-voz do trabalho — passa por cinco grandes critérios jornalísticos. Isso significa que a gente olha para as qualidades que uma pesquisa tem para virar notícia — o que chamamos, no jornalismo, de critérios de noticiabilidade de um acontecimento.

 

Esses cinco principais critérios da Bori são:

1 Ineditismo do trabalho
2 Diversidade (do tema, porta-voz e área)
3 Qualidade jornalística dos resultados
4 Impacto na vida das pessoas
5 Dimensão pública do tema

 

Vamos tratar de cada um desses critérios a seguir.

1 Ineditismo do trabalho

A Bori só dissemina à imprensa trabalhos científicos em vias de publicação, ou seja, antes desses artigos, relatórios ou livros serem publicados. Isso nos permite preparar um texto explicativo sobre o material científico, que será postado em área restrita acessada pela nossa comunidade de jornalistas acompanhando o estudo original e o contato do porta-voz para entrevistas. Desse modo, a imprensa de todo o país tem acesso a um material completo sobre cada pesquisa que disseminamos na Bori sob embargo jornalístico de cerca de uma semana. As reportagens podem ser veiculadas  no mesmo dia em que o estudo é publicado.

Esse sistema é usado em todo o mundo para disseminação de informações — sejam elas científicas ou de outro tipo — à imprensa com embargo jornalístico. Então, trabalhos acadêmicos que já tenham sido publicados são descartados da nossa curadoria.

2 Diversidade (do tema, porta-voz e área)

A diversidade é elemento central em todas as ações da Bori, incluindo, claro, as curadorias dos trabalhos que serão antecipados à imprensa. Isso significa que a gente se compromete a selecionar artigos científicos de todas as áreas do conhecimento, de instituições de todo o país e respeitando igualdade de gênero nos porta-vozes.

Na prática, os critérios de diversidade guiam as nossas escolhas todos os dias. Por exemplo, se acabamos de antecipar à imprensa um estudo sobre os impactos da pandemia de Covid-19 em idosos e recebemos estudo sobre tema semelhante, então daremos prioridade a outros trabalhos. Ou se divulgamos uma sequência de trabalhos de instituições do Sudeste, vamos priorizar artigos acadêmicos de outras regiões. Temos um olhar especial para estudos de cientistas de grupos minoritários e de regiões e universidades sub-representadas na imprensa. Essa matemática é feita diariamente pela nossa equipe.

Em 2020, por exemplo, 51% das pesquisas divulgadas pela Bori tinham como porta-vozes mulheres — proporção de gênero semelhante a de autoria de artigos científicos no Brasil. Além disso, em todas as regiões do país, ao menos metade das instituições (universidades e institutos de pesquisa) tiveram um estudo disseminado pela Bori. Também tivemos um equilíbrio importante na distribuição por áreas de conhecimento, com um terço dos estudos disseminados à imprensa na área de saúde, um terço de ciências sociais aplicadas e um terço das demais áreas, como biologia e ciências exatas e da terra.

3 Qualidade jornalística dos resultados

Do ponto de vista jornalístico, pesquisas científicas que trazem algo novo, que ainda não se conhecia, em termos de análise de dados e resultados, têm um potencial muito grande de interessar a imprensa. Se forem inesperados, melhor! Histórias jornalísticas podem surgir do inusitado — desde um fóssil raro encontrado na Bacia do Araripe (CE), até de novas espécies de peixes identificadas, pela primeira vez, em Fernando de Noronha.

4 Impacto na vida das pessoas

Um bom jornalista sempre será orientado pelo o que seu público quer saber. No jornalismo de ciência, isso implica perguntar: como esses resultados de pesquisa se relacionam com a vida das pessoas? Que impactos o aquecimento global pode trazer para a população do litoral do Nordeste? O exercício de aproximar a ciência do cotidiano pode ser feito mesmo com pesquisas da ciência básica, já que a produção de conhecimento científico também traz impactos sociais.

Em um ano de pandemia, a ciência brasileira de qualidade serviu para guiar as discussões sobre a contenção da crise. Por exemplo, as pesquisas divulgadas pela Agência Bori foram utilizadas e debatidas durante a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19. Além disso, divulgamos uma série de estudos que buscaram compreender o impacto da pandemia no cotidiano e qualidade de vida dos profissionais de saúde.

5 Dimensão pública do tema

Na Bori, estamos sintonizadas à agenda da imprensa e ao que especialistas e jornalistas têm comentado nas redes sociais. Uma das nossas estratégias é usar o timming jornalístico a nosso favor, escolhendo pesquisas científicas sobre temas “quentes”, do momento. Isso significa, em alguns casos, priorizar estudos que tratam de temas sobre os quais a imprensa — e a sociedade — está debruçada no momento.

Em maio de 2021, por exemplo, antecipamos na Bori um estudo que demonstrou como a exclusão digital afetou o acesso ao auxílio emergencial do governo federal — um dos assuntos mais comentados na imprensa durante a pandemia. Apesar da pandemia de Covid-19 ter sido o principal tema dos jornais neste e no último ano, a pauta ambiental também chamou atenção dos jornalistas. Por isso, divulgamos recentemente um estudo que mostrou que a Amazônia perdeu sua capacidade de absorver carbono por causa do desmatamento.

Isso não significa, no entanto, que deixaremos de fora temas que estejam ausentes no debate público. Ao contrário: é também nosso papel jogar luz a assuntos importantes, mas que estão sub-representados na imprensa em um dado momento, para justamente pautar o debate público. Um dos trabalhos de maior impacto na imprensa disseminados pela Bori tratava de esquizofrenia, mesmo quando toda a mídia estava voltada à Covid-19.

 

Os critérios de seleção, claro, estão em constante debate pela nossa equipe, com nossos apoiadores e, em breve, com nosso Conselho Consultivo. Uma das ideias é incluir, na curadoria, aspectos éticos na condução das pesquisas disseminadas, olhando mais profundamente, por exemplo, para o tipo de apoio que cada pesquisa recebeu.

Também temos preocupação em dar mais voz a minorias raciais. A diversidade racial tem entrado como um dos nossos critérios na seleção dos participantes dos nossos workshops para jornalistas e cientistas. Para a seleção de estudos para antecipação à imprensa, no entanto, essa questão é mais complicada, pois não é trivial ter informação racial sobre os autores. Estamos discutindo na Bori como enfrentar esse desafio.

Se você é cientista, tem um trabalho inédito (que ainda não foi publicado), mas tem dúvida sobre o potencial jornalístico dos resultados, o impacto da sua pesquisa na vida das pessoas e a dimensão pública do tema, mande seu estudo para a gente. Quanto mais materiais incluirmos na nossa curadoria, melhor será o trabalho da Bori junto à imprensa — e mais ciência levaremos até as pessoas pela mídia.

1º Workshop “Noticiando Alimentação” para cientistas: confira como foi

Com o desafio de trazer dicas práticas sobre a relação com jornalistas para a disseminação de pesquisas, a Bori realizou seu primeiro workshop para cientistas que trabalham com sistemas alimentares, nos dias 2, 3 e 4 de agosto de 2021. Elogiado pelos participantes por seu caráter intimista, o “Noticiando Alimentação” teve foco na comunicação para a imprensa de pesquisas científicas de agroecologia, economia, nutrição e saúde, áreas de pesquisa dos participantes, e é uma das iniciativas apoiadas pelo Instituto Ibirapitanga.

Participaram dessa primeira edição vinte pesquisadores de todas as regiões do Brasil, vinculados a instituições como Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM), universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN), de Santa Catarina (UFSC) e Instituto Aggeu Magalhães, na Fiocruz Pernambuco. As diversidades regional e de área de pesquisa da turma, escolhidas estrategicamente, propiciaram interações ricas, com troca de experiências e dinâmicas em grupo.

Nos encontros, os participantes puderam desenvolver uma noção mais apurada de como identificar estudos científicos que podem se transformar em pautas jornalísticas, além de treinar sua capacidade de síntese com a preparação de frases de efeito para entrevistas e para redes sociais. “Saber escolher as palavras que causam mais impacto na conversa com jornalistas é estratégico para que o pesquisador tenha mais controle da narrativa”, comenta Natália Flores, gerente de conteúdo da Bori, que conduziu a parte teórica do curso.

Planejado para acontecer em outubro ou novembro, a próxima edição do “Noticiando Alimentação” pretende investir, ainda mais, em dinâmicas e experiências práticas, com simulações de entrevistas com jornalistas. Para participar da seleção, cientistas que trabalham com sistemas alimentares podem se cadastrar no banco de fontes da Bori.

 

A opinião dos participantes

 

“Foi um espaço de trocas muito importante e rico, com muitos ensinamentos, que foram fundamentais para compreender as complexidades da divulgação científica em meios jornalísticos.”

Isabel Cristina Lourenço da Silva (Associação Brasileira de Agroecologia)

 

“Achei o conteúdo interessante, exposto de uma maneira bem agradável. O media training vai nos ajudar a comunicar melhor o que produzimos no meio acadêmico para a sociedade.” 

Alessandro Alves Pereira (Unicamp)

 

“Gostei muito da objetividade do curso e a extrema possibilidade de ser aplicado na prática”.

Jucelio Kulmann de Medeiros (IFSC)

 

“Muito interessante e de grande importância para pesquisadores. Recomendo que sejam feitas novas ofertas para outros participantes.” 

Paula Horta (UFMG)

Bori é indicada ao Prêmio Einstein na categoria ‘agência de notícias’

A Bori foi indicada ao Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar na categoria “agência de notícias”. A premiação, em parceria com Jornalistas&Cia e Portal dos Jornalistas, destaca veículos e  profissionais do jornalismo que mais se dedicaram e se destacaram na cobertura da Crise da Covid-19.

A nossa agência concorreu com instituições consagradas como Agência Brasil, Agência Fapesp, Reuters e Agência Estado. O grande vencedor — escolhido por votação eletrônica — será anunciado dia 2 de setembro.

Nas categorias de profissionais de comunicação, grande parte dos finalistas integra a comunidade de jornalistas da Bori. São usuários ativos, que acessam as pesquisas antecipadas à imprensa, os bancos de fontes, os cursos para jornalistas e outras formas de apoio ao trabalho da imprensa.

Parabéns a todos os agraciados!

Media training para cientistas: confira o 1o curso da Bori para cientistas da área ambiental

A Bori recentemente abriu uma nova frente de ação: o treinamento de grupos de cientistas para falar com jornalistas. A ideia é preparar pesquisadores para divulgarem seus estudos por meio da imprensa e, assim, conseguirem mais impacto na divulgação de suas pesquisas. Em junho, realizamos nossa primeira capacitação nesse formato para vinte pesquisadores da Coalizão Ciência e Sociedade.

O curso foi formatado especificamente para as demandas desse grupo de pesquisadores que atuam na área ambiental. Em três encontros virtuais, foram discutidos tópicos como o que é pauta para a imprensa, a ciência como fonte para o jornalismo, como saber se uma pesquisa é notícia, como se preparar para dar entrevistas e os impactos da divulgação que vão além da repercussão na imprensa, entre outros.

Complementando a parte teórica, os módulos contaram com atividades práticas, individuais e em grupo, que tiveram como base estudos reais dos participantes ou situações hipotéticas de entrevistas. Os cientistas exercitaram sua capacidade de síntese ao produzir um pitch de suas pesquisas ou explicar um estudo em um tweet. No final, eles aprenderam, inclusive, a escrever seu próprio press release.

Do curso para as manchetes

Os pesquisadores tiveram a oportunidade de já colocar em prática o que aprenderam na capacitação. Artigo publicado na revista “Conservation Letters”, com co-autoria de Jean Paul Metzger, professor titular de ecologia da USP que participou do curso, foi antecipado à imprensa na Bori.

O estudo mostrou que, em ano de eleição, foram desmatados 4 mil hectares a mais na Mata Atlântica em comparação a anos não eleitorais. A pesquisa avaliou o impacto de eleições municipais, estaduais e federais no aumento de desmatamento em mais de dois mil municípios do sul e sudeste do Brasil no período de 1991 a 2014.

A pesquisa foi pauta em diversos veículos de comunicação — incluindo matéria de página inteira da Folha de S. Paulo de 28 de junho e editorial do jornal no dia 2 de julho.

“Os benefícios deste treinamento ficaram ainda mais evidentes com a divulgação de um artigo do meu grupo, promovido pela Agência Bori, que teve ampla repercussão em diversos veículos da imprensa escrita. Saber comunicar faz muita diferença na visibilidade da ciência e na sua capacidade de transformação da sociedade!”, diz Metzger.

 

Quer saber como a Bori pode realizar cursos de media training para o seu grupo de pesquisa, departamento ou instituição? Entre em contato em bori@abori.com.br